terça-feira, agosto 03, 2010

Sem Titulo

Ela é forte.

O ambiente é pesado. A não ser o barulho das máquinas a avisar as enfermeiras para a mudança das garrafas de veneno, todos permanecem em silêncio.

Têm todos uma cor de pele horrível, baça, amarelada. Têm uma expressão vaga, vazia, triste… conformada.

Eles não são fortes. Eles vomitam, eles defecam, eles queixam-se.

O tratamento inclui a introdução de cerca de litro e meio de liquido por via intravenosa. Essa quantidade origina que as deslocações às casas de banho sejam frequentes. Levantam-se com dificuldade, seguram-se ao poste de metal com rodas que suporta os líquidos. Caminham pelo corredor de forma calma. Tudo em silêncio, apenas o tilintar do metal.

Ela é forte.

Ela sorri. Não é como os outros. Ela fica cansada. Ela dorme.

Observo a decoração. Um aquário de peixes no centro da sala. Vazio, sem agua, sem peixes, mas com pedras e decoração.

Alguns bordados a ponto cruz, expostos nas paredes, em telas simples, com mensagens bíblicas, de esperança, de salvação. Leio-as todas e não encontro qualquer reconforto. E é tudo em termos de decoração.

Mas as maquinas continuam a apitar, agora a maioria da sala ao mesmo tempo.

Muda-se-lhe o frasco, ela acorda. Tem fome. Rói lentamente uma pêra que uma enfermeira lhe deu, queixa-se que está cansada demais para comer. Em segundos, as suas feições mudam, custa respirar, fica totalmente vermelha, em aflição, agarra-se ao peito com dores, não consegue respirar.

A enfermeira chega apressada, rápida, experiente, confiante, reduz a cadência de introdução do líquido, insere outro veneno para reduzir a reacção nociva do primeiro.

Ela é forte.

Acalma-se, recupera as cores e dorme novamente.

É nesta fase que me chegam as perguntas à parte emocional do cérebro:

“Será que isto não faz pior do que bem?!?” e “Será que sabem o que estão a fazer?”

Logo seguidas de respostas que chegam da parte racional do cérebro:

“É mesmo assim. Não há outra forma mais eficaz de acabar com o ‘mal’. Ela vai ficar bem.”

Ela é forte, ela não vai ficar como os outros. Ou será que vai?...

quinta-feira, abril 22, 2010

Na estação de comboios de Rumilly

Apos 3 semanas consecutivas de greve nacional da empresa de comboios francesa, dirijo-me à estação depois do trabalho e um simpàtico senhor pede-me para passar à frente na fila para fazer uma questão ràpida. Deu-se o seguinte diàlogo:

"Importa-se que passe à frente? Quero apenas fazer uma pergunta ràpida..."

(EU) Sim pode. Não tenho pressa, força.

"O senhor não é francês, pois não?"

(EU) Não.

"Vi pelo sotaque. é de onde?"

(EU) Consegue adivinhar?

"Português?!"

(EU) Sim... acertou à primeira! E você?

"Marrocos... esta greve que nunca mais acaba... dizem ser o ultimo dia hoje..."

(EU) Sim, ouvi ontem nas noticias....

Longos segundos de silêncio, a fila nao mexe. Faz calor na estação, està sol là fora. Estou atrasado para a aula de francês...

"Em Portugal é que se està bem!! A vida é melhor là! Temos de procurar a felicidade onde as pessoas são mais simpaticas, onde faz melhor tempo... sol e calor o ano todo..."

(EU) Mas o salario minimo é 3 vezes menor e o custo de vida é pouco inferior ao de França...

"O dinheiro não é tudo... Ganha-se mais mas està frio. Hoje pode estar bom, mas amanhã volta a chover"

(EU) Jà foi a Portugal? Conhece?

"Conheço Lisbonne e Santa Maria de Fatima. Todos os meus amigos da associação de emigrantes portugueses me fala muito bem de Portugal"

Entretanto chega a sua vez de ser atendido na estação, agradece e despede-se com:

" Um resto de bom dia, Portugal é muito bom. Cristiano Ronaldo."

terça-feira, abril 13, 2010

As primeiras impressões...

A França. Na minha entrada nos 30 torno-me mais sábio, torna-se mais difícil apaixonar-me, torno-me mais racional nos amores que escolho. A minha relação com a França, começou com desconfiança, com dificuldade, com alguns choques ; mas também com muitas surpresas.

Longe de perder a minha paixão pela Polónia e arredores, mas acho possível ainda ter espaço no meu coração para mais um amor. Bora lá França que estou a ficar chaude !

Afinal portugueses e franceses não são assim tão diferentes, ora vejamos :

- Ambos adoram comer, a sua comida é óptima, e é uma parte importante da vida social de cada um. Momento de reunião salutar, partilha, amizade, convivio.
- Ambos adoram as esplanadas, as cervejolas com amigos, o ‘bora lá beber um cafezinho’, apanhar sol, falar, falar, falar, e falar.

- Ambos se queixam de tudo, do tempo, da greve, da vida, afinal nunca esta tudo perfeito. Há algures no passado que já esteve melhor, mas não hoje. Ambos pessimistas na vida, trabalho e amor. Um fado partilhado.

- A essência latina esta lá em França e em Portugal, mas sem o exagero das palminhas e do barulho e confusão espanhola e os exageros na moda e no detalhe visual dos italianos.


Mas serao assim tao parecidos ?? Continua a espantar-me como pequenos detalhes tornam ao mesmo tempo os franceses tão diferentes dos portugueses…

Socialismo imposto à força

Claro que esta que no pretensiosismo e tacanhez somos os maiores. Haverá sempre os grandes senhores feudais e monárquicos em Portugal. Os donos do pais. Os que se medem pelo carro de luxo que têm, prevalece o parecer que se é, do que o ser-se realmente. As aparências, o viver acima das possibilidades, E em França como é ??

Salário mínimo muito mais alto, mas o topo também aufere salários mais reduzidos, a classe media sim pode existir, e existe em França.


A grande diferença entre PT e FR, é que ambos se queixam quando algo vai mal, mas apenas os franceses fazem algo para mudar. Somos vítimas de séculos de passividade, do deixa andar, do encolher ombros e pronto, será sempre assim. Não me refiro apenas às greves gerais A SERIO de França, ou à idade de reforma mais baixa que no resto da Europa, refiro-me a séculos de história. Se o povo passa fome, quando há dificuldades lá vai o rei para a guilhotina, lá vem a revolução, enquanto que em Portugal a culpa morre sempre solteira.

Por isso aqui em França ninguém diz : « Ele é muito rico ! »

Diz-se antes : « Ele vive à vontade ! »

Grandes carros de empresa que definem estatuto social ? Não o vejo à minha volta. Talvez em Paris seja igual…

O que existem são salários mais altos, melhores serviços públicos, é mais fácil aqui para um maior número de pessoas.

Uma coisa é certa, compra-se casa quando se tem 40 anos, porque o lobby dos banqueiros é super controlado pelo governo, e não se endividam as famílias de forma irracional como em Portugal.

Um género de socialismo empurrado pela cabeça à baixo de toda a sociedade.

Tudo isto me foi explicado pelo meu professor de francês ainda em Lisboa. Mesmo assim descobrir por mim e senti-lo pessoalmente é diferente. Aquela sensação : ‘ah… é mesmo como o JP me disse ‘ mas na mesma o choque como se fosse totalmente inesperado.


O que não gosto de França, para alem da distancia a quem amo e deixei em Portugal :

Não gosto da fonética da língua. Talvez por anos a aprender línguas brutas como espanhol e polaco, passar para uma língua delicadazinha não tem sido fácil. Continuo a achar o “joder” espanhol e o “kurwa mac” polaco mais impactante que o “putaaiinn ‘ francês.

Estes bacanos acham-se no fundo um bocado mais especiais do que realmente são. O nacionalismo torna-se ridículo por vezes. É sem duvida um grandioso pais, mas epà, calma…

Bagette debaixo do braço já não me choca, mas a mistura de um sovaco suado em contacto com pão fresco não conjuga no meu imaginário romântico de França.

A fixação que têm por cus cus em vez do arroz, ou a fixação por carne de pato em vez das nossas filas ao domingo para comprar frango no churrasco.

O exagerado uso de cheques para pagar tudo.


Allez! Allez! Vive la France!

segunda-feira, abril 12, 2010

A pedido de vàrias familias

Volto a escrever.

Não è fácil depois de tão longa ausência. Justificar a longa ausência… não vale a pena. O peregrino estacionou por uns tempos, transferi parte da energia para o amor, para o facebook onde publico as fotos das peregrinações mas sem escrever.

Sobretudo 3 recentes motivações me lançam no blog novamente, moda essa, a dos blogs, que depois do frenesim inicial, já acalmou e agora há menos quantidade e, talvez, mais qualidade no que se escreve na blogosfera.


Primeira

Por opção, vontade, ambição, ou maluqueira, depende do ponto de vista do amigo ou familiar que lê estas linhas, voltei a partir. O peregrino voltou. Emigrou novamente. E novamente sem saber por quanto tempo, mas sempre com a certeza de voltar. O cantinho solarengo, apesar de todos os defeitos, é ainda muito virtuoso, e apesar de tudo é : ‘casa’.

A ausência e distância de amizades e amores jamais é substituída por qualquer croissant, baguete, ou tartiflette. Volto ao blog para tentar preencher um pouco esse vazio, para partilhar com mais detalhe, mais emotividade que a simples foto no facebook, o meu dia a dia, o quotidiano que fica por contar nos telefonemas ou chats.

Segunda

Os leitores deste espaço pediram bastante para que não parasse de escrever, mas foi a seguinte chamada que me motivou :

« Filipe, não imaginas ! A minha mãe ontem procurava informações sobre Amesterdão na Net, porque me vem visitar, e imagina, foi parar ao teu blog e viu fotos tuas e minhas ! Porque não voltas a escrever, pá ? »


Terceira

Um livro que acabei de ler que me inspirou para voltar a escrever. Vivam os novos autores portugueses:

"O homem que queria ser Lindbergh", de João Lopes Marques, Oficina do Livro, 1a edição de 2007

Volto a escrever André;

segunda-feira, julho 06, 2009

domingo, julho 05, 2009

Boas vibrações!

Acredito piamente que o que fazemos nesta vida a nós próprios e aos outros, virá de volta de alguma forma. Crença esta que nada tem de religiosa, apenas já o senti na pele várias vezes e tenho as minhas dívidas saldadas.

Só acreditando nisto é que realmente pude resistir em retaliar ao que me aconteceu em finais de Maio.

Regressava a casa do trabalho e ao ver o correio noto numa carta com o símbolo vermelho da PSP. Ui… o que aí vem…

Em baixo a carta que recebi. Retirei vários dados do queixoso por questões de privacidade óbvias.

O senhor, vamos chamar-lhe “X”, fez queixa da minha pessoa por estacionar o carro à 6 meses atrás numa passadeira na minha rua. Fiquei preocupado, fui consultar a minha agenda a tentar responder à questão: “Onde estacionei o carro e o que fiz no dia 6 de Janeiro?”

Confirmei que fui a casa na hora de almoço pagar a mensalidade à empregada e estacionei o carro a tapar a passadeira por alguns minutos. Muito mal!

Nesse momento tocam-me à campainha. O meu vizinho do lado:

“ – Boa noite vizinho. Por acaso não recebeu uma queixa da PSP em nome do senhor X?” – pergunta-me ele.

“ – Sim, tenho de apresentar-me na esquadra de Oeiras no dia 16 de Junho para prestar declarações.”

“ – Você também?!? Vários vizinhos que também receberam queixas desse senhor estão lá em baixo a conversar, junta-se a nós?”

5 Vizinhos, todos com um problema comum, uma queixa feita pelo senhor X feitas em dias diferentes, queixoso esse que nesse momento tinha o carro também mal estacionado.

Discutem-se formas de o castigar ou não. Esvaziar pneus, chamá-lo à rua para conversar com o grupo foram algumas sugestões, mas a decisão final recaiu sobre tirar uma foto e dar-ma a mim para apresentar à polícia quando prestasse declarações.

Um dos vizinhos que já acumula 3 queixas e 3 idas à PSP, explica-me:

“ – O senhor X recebeu 2 multas de estacionamento da PSP. Como retaliação agora é o justiceiro do bairro e arredores. O senhor X está reformado e procede da seguinte forma:

1. Durante o dia vai anotando as matriculas e as horas em que viu carros mal estacionados ou parados.

2. No fim do dia envia um email à polícia com todos os dados recolhidos.

3. No fim de semana vai pessoalmente à esquadra e apresenta queixa oficial de todas as ocorrências da semana.

Quando lá for aconselho-o a falar com o agente Y que é responsável pelo arquivo de queixas do senhor X”

Um dossier já considerável em volume de alto trabalho policial de arquivo.

QUE POVO PACIFICO O POVO PORTUGUÊS!!!

Onde estão os lusitanos lutadores? Falta-nos um novo Viriato! Penso na reunião de vizinhos e penso como seria tratado este senhor X se fizesse o mesmo nos EUA ou no reino unido? No mínimo uns pneus furados, no máximo… bem, alguma fisicamente doloroso.

Dias depois dirijo-me à PSP de Oeiras. Claro está que descobri depois que existem 2 esquadras da PSP e que claro que a primeira que encontrei não era a que resolve queixas.

Com o calor abrasador que fazia à hora de almoço e eu de farda laboral, custou-me encontrar o gabinete do agente Y recomendado.

O que vi parecia uma cena de um filme cubano ou algum país latino equatoriano. O gabinete quente com 3 ventoinhas a rodar e a circular o ar quente sem grandes resultados. Papeis por toda a parte, computadores antigos, regras afixadas nas paredes e máximas policiais do género:

“Sorria, a vida é demasiado curta”

A rádio a tocar música com ruído, moscas no ar, cadeira em metal com a almofada um pouco esfarrapada.

Declarei-me inocente, contei a minha história e quando termino o agente diz-me num tom de desmotivação e cansaço:

“Nós, nestes casos, não temos qualquer interesse em autuar, mas o senhor X só faz isto para nos dar trabalho e tem direito a fazê-lo em termos legais. Ele disse-me que já não iria fazer mais queixas. E quanto à foto que trouxe consigo do carro do senhor X… esqueça… ele próprio tira fotos ao seu próprio carro mal estacionado para nos mostrar…”

Assunto arrumado!

Ao senhor X e a outros senhores X deste mundo:

Sintam-se com sorte por viverem no país mais pacifico da Europa e, acreditem quando escrevo, mais tarde ou mais cedo algo ou alguém fará com que paguem pelo vosso comportamento.

quinta-feira, junho 11, 2009

Pub Crawling

Como diziam as tshirts da equipa organizadora:

"If you can't walk, just crawl" que é como quem diz:

"Se não consegues andar, rasteja"

Ontem fui ajudar um amigo num género de rally tascas versão para "bifes" no bairro alto e docas. 23 alminhas de vários paises que, em visita a Lisboa, pagam-nos para lhes mostrarmos onde a noite é melhor.

Bairro alto vazio, já que o cerne da festa nesta altura é alfama, mas os pequenos bares do bairro ficam cheios quando se entra com um grupo desta dimensão.

É facil! Musica comercial, hip hop americano, e copo cheio, é o que povo quer.

De bar em bar, bebe-se muito e dança-se ainda mais. Do Bairro alto para as Docas uma fila de taxis transporta os foliões facilmente.

Um clique para as fotos dos últimos eventos no facebook.

http://www.facebook.com/photo.php?pid=30434944&id=1331141398&ref=mf#/profile.php?id=1331141398

Done! Mais um sucesso para a Inside Lisbon!

Bailaricos

Vivam os feriados seguidos. E vivam as pontes nesta gloriosa altura do ano quando os dias têm luz mais de 12 horas por dia.

Sente-se a cidade de Lisboa vazia. A "crise" não chegou para evitar que muitos milhares tenham saido da cidade para um longo fim de semana. No entanto quem fica não perde nada.

Não há filas para as praias e as sardinhas chegam para todos.

Na passada 3ª feira baptizei esta época de arraias e bailaricos em Alfama. Ao lado da igreja de São Miguel, os irmãos Cabana animaram uma multidão sedenta de baile, sangrias e festa!

Estes gémeos de Setubal tiveram a noite das suas já longas carreiras com a malta a pedir várias vezes que tocassem: "só mais uma". As regras do bairro obrigam a terminar às 2 horas.

Entre comboios, peitos da cabritinha e mestres de culinária, vivam as festas de Lisboa. Viva o Santo António.

segunda-feira, junho 08, 2009

Eleições Europeias 2009

Não está no âmbito deste blog discutir temas políticos, mas muito me entristece a forma como todo este último processo eleitoral foi conduzido.

Independentemente da importância que cada um possa atribuir a este último momento de eleição e ao grau de decepção que cada um possa ter da classe politica, o que realmente conta é que a opinião foi pedida a todos os europeus, e os números de abstenção estão aí para ver e analisar em 200 horas de programas de televisão.

Para quem não votou aqui deixo o meu…“lamento”. Porquê? Aqui deixo a minha visão redutora:

HIPÓTESE 1: Não votar, significa não exercer um direito fundamental da nossa liberdade de discurso. Só sentimos falta da liberdade quando a perdemos. O voto não é algo adquirido, é recente, demorou e custou muito a conseguir.

HIPÓTESE 2: A decepção existe?! Descrente da massa politica? Então vote em branco. Passa-se a mensagem: “Ok! Voto, porque sou cidadão. Voto branco porque nenhuma das opções me agrada.”

Para quem escolheu a hipótese 3, a minha, e foi votar, parabéns!

O que fiz eu hoje para ir votar?!

Levantei-me cedo na casa dos meus pais, porque, apesar de já não morar na minha terra natal, ainda lá voto.

Não tenho o cartão de eleitor. Ficou esquecido em Lisboa.

Pego no carro e faço 42Km para ir buscar o cartão.

Estaciono o carro. Subo a casa. Desço ao carro. Não pega! Alguma avaria na injecção ou ignição…

Apanho um táxi até aos barcos. Apanho o barco. Vou almoçar a casa e saio para votar.

Não hora que entrei na minha antiga escola secundária, senti que era o único que se lembrou de ir às urnas.


Valeu a pena. Espero que as próximas gerações ainda tenham a opção de votar.

Acabo com uma frase que não é minha:

“Quem esquece a história, arrisca-se a vivê-la de novo”

quinta-feira, maio 28, 2009

Ao meu mundo Café



Café.

Uma bebida, um conceito, um vicio, um prazer, um evento social.

Tão importante na vida social do meu país, que peça importante da nossa cultura. Que decisões se tomaram? Que amizades e amores nasceram? Tudo o que já aconteceu, acontece e acontecerá em Portugal à volta de 2 pequenas chávenas da rica e estimulante bebida preta?!

Numa visita a Évora em Abril para o aniversário de um grande amigo, eu e 2 amigas fizemos um excelente lanche no café arcada da praça do Giraldo. Entre conversas sérias, brincadeiras e muita gargalhada dei por mim a pensar no importante que é o café para nós portugueses.

Num momento de voyerismo e encantando com a cena na mesa em frente à minha registei estas 2 fotos:


Esta estudante lê o seu livro enquanto saboreia o café com tal cerimónia que valeu a pena registar. Repare-se na 2ª foto o momento em que se contrai os lábios num gesto automático e típico após o sabor intenso e amargo do café invadir as papilas gostativas. Maravilhoso! Lindo!
Enquanto se conversa, se "queima" tempo, as mãos e criatividade não param:

Esta cara foi feita com um daqueles guardanapos sempre presentes que ninguem percebe bem como apareceram. Simplesmente não fazem o que se espera deles, não absorvem nenhuma sujidade, liquido ou sólido. Ficam as mesas no final cheias daqueles bolinhas irregulares de guardanapos destes amarrotados e sujos. A quantidade de papeis numa mesa de um café ao fim de uma pratada de caracóis é algo de bestial!


Cafés bebidos e guardanapos amarrotados e desafiámos o simpático empregado a explicar-nos os desafios da sua profissão.
Quantos anos? Quantas centenas de cafés servidos foram necessários para que este rapaz consiga transportar 4 chávenas numa única mão? Que aulas de equilibrismo para segurar uma bandeja de aluminio numa mão carregada com vários litros de cerveja.
O barulho de fundo não permite ouvir as explicações técnicas, mas as imagens só já merecem a pena ver este filme, onde nos é explicado a técnica de transportar 4 bicas numa mão:

video

Já que se fala em BICA no sul e CIMBALINO no norte aqui vão as explicações sobre a origem de tão criativos nomes dados ao nosso expresso de café:

BICA - São as iniciais para: "Beba Isto Com Açucar". Quando o café era importado do Brasil nos primeiros séculos após descobrimentos, era servido nas pastelarias finas do chiado em Lisboa. O gosto do palato português como é óbvio só gosta de salgado e doce, amargo era algo novo. De forma a vender mais esta nova bebida exótica vinda do império português, os inteligentes comerciantes passaram a aconselhar a adição de açucar na mesma. Um sucesso.

CIMBALINO - Por fontes seguras,esta palavra é uma das marcas de máquinas de tirar cafés mais antiga que existe.

terça-feira, abril 07, 2009

Fred e Barney tentam entrar num clube

Ainda relacionado com a dificuldade em entrar num discoteca sem mulheres...

segunda-feira, abril 06, 2009

Fotos Anti Crise

Crise?! Qual crise?!
Aqui deixo mais umas fotos anti crise. O nosso clima... as nossas paisagens... os nossos recantos deste cantinho da Europa... vivam!
  • Aldeias de xisto para uma paz incrivel, ou uma praia fluvial para dar uns mergulhos:




  • Pescar numa das milhares praias de Portugal ou passear de bicicleta junto ao mar.




  • E a foto da semana vai para o Manuel e a Maria a fazerem uma bela sesta depois de almoço na praia da Nazaré. Qual crise, qual o quê... sejam felizes.

Noite Lisboeta é "Dureza"

O bairro fecha agora às 2 da matina. Santos é para acabar, já não se renovam as licenças. Os locais de eleição para sair à noite em Lisboa estão em declinio? Existem alternativas emergentes, Lx Factory em Alcântara por exemplo?


Ontem à noite senti-me novamente com 18 anos nas primeiras saidas à noite em Lisboa.


Apanhava-se o barco do Barreiro, e ia-se a pé até às docas ou Santos para tentar entrar em bares e discotecas a pagar pouco ou grátis. E ser "barrado" na entrada por todos os porteiros.


Saída com amigos, tudo gajos. Ah e tal vai-se aonde? Vamos agora que ainda é cedo (meia noite) que é mais facil entrar... o tipico.


Conversa com um porteiro de uma discoteca Lisboeta:


Porteiro: "Boa noite, quantos são?"


Eu: "Somos 4"


Porteiro: "A política da casa hoje obriga a que só possa deixar entrar casais" - enquanto isso 2 raparigas chegam, cumprimentam e entram.


...vendo a nossa cara de frustação, o funcionário tenta animar a malta:


"Ainda é cedo, deixem a casa encher mais um pouco, passem daqui a um bocado e já podem entrar".


Boa! Porreiro! Vale a pena ser cliente frequente, ele até foi simpático, penso eu.


Fomos a um outro bar, bebemos, conversamos e vimos alguém a tentar "dança do ventre".


Voltamos a tentar ou não? - Bora lá!


Porteiro: "Boa noite, quantos são?"


Eu: "Agora somos só 3" - tendo ligeira sensação de dejá vu e tentando relembrar o porteiro da anterior tentativa.


Porteiro: "Hoje temos uma festa privada e não podemos deixar entrar sem estar na guest list"


Eu pensei para mim mesmo; não, não vale a pena tentar relembrá-lo.


Aqui está! mais uma lição de relacionamento com clientes, grande CRM o desta casa.


Óptimo! Mais um cliente que perderam!


LIÇÃO A RETER:


SAIR À NOITE EM LISBOA SEM CONHECER ALGUÉM, OU SEM INVESTIR NESSES "CONTACTOS": SÓ LEVANDO COMPANHIA FEMININA!


Acabando com uma metáfora que me lembrei na altura:


Para ir para a praia não chega apenas levar um balde e uma pá para brincar, tens de levar também areia...

sábado, fevereiro 21, 2009

Lago Léman de ponta a ponta - Montreux

Não que tenha gostado mais de Montreux do que as outras cidades na margem do lago, mas como foi a primeira das viagens pela empresa em que realmente não fui trabalhar, apenas "aprender", valeu a referência. Mais uma cidade limpinha, normal, calma, organizada e CARA na Suiça.

Realça-se o festival de Jazz no Verão, época alta na "vila", e claro as vistas para o lago. Foi aqui que Freddy Mercury dos Queen passou os últimos dias de vida e escreveu as últimas canções para o último album da banda "Made in Heaven". É impossível ser indeferente à paisagem e facilmente se sonha:



A cidade é bastante calma, mas quando a mixlania Europa se junta e a música começa a tocar, não importa se estamos em Amesterdão, Lisboa ou Santa Comba Dão (adoro este nome), a malta vai dançar:





É disto que o povo gosta!
Aulas de dia e festas de noite, um bonus para quem trabalhou muito durante o ano. E enquanto lá fora o frio era de rachar:

Entre portas havia tempo para descansar:

A semana acabou em Zurich fazendo compras e vivendo, à maneira Suiça, a febre comercial do dia de São Valentim. Nesta loja, de uma marca supostamente famosa de chocolate suiço, vivia-se um sábado deliciosamente romântico, com packs tipicos da data e corações de chocolate com mensagem impresa escolhida pelo freguês:

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Entre Viagens

Enquanto organizo as fotos da última viagem, ao mesmo tempo que negociamos a renda com o senhorio e ao mesmo tempo que planeio uma semana de férias agora no Carnaval e outra em Maio...
Tento que;
A confusão "organizada" da minha secretária:


Se transforme na harmonia e simplicidade destes cafés em Winterthur, Suiça: