quinta-feira, abril 05, 2007

Viver em Amesterdão - Como será?

Como último post acerca desse país maravilhoso deixo um desafio aos meus amigos que vivem na Holanda.

Como é viver na Holanda? Como em qualquer país há-de haver vantagens e desvantagens. Algumas parecem-me óbvias outras ou talvez a maioria nem por isso. Aguardo os vossos comentários e deixo aqui o meu ponto de vista como turista português regular.

Apesar de fazer o que a maioria dos turistas faz em Amesterdão e ir aos locais típicos e aos museus recomendados, não me auto insiro no grande grupo que vai à Holanda, e que fica apenas no centro de Amesterdão e se mantém pedrado durante toda a estadia. Há sítios mais perto de Portugal e mais baratos, como Ibiza.

Mas sim, Amesterdão é uma cidade em permanente festa!

A minha primeira viagem para fora da Península Ibérica foi há já muitos anos para Amesterdão. Foi um “abrir os olhos”! Agora continuando a visitar e tendo vários amigos a viver na Holanda a minha opinião vai mudando.

Ao primeiro impacto é chocante. A droga, o sexo, o álcool, tudo tão fácil de obter e tudo tão permitido é fácil ficar ofuscado e pensar: “Espectáculo! Incrível! Que bom seria viver neste país tão tolerante onde vale tudo e cada um faz o que quiser!”

No entanto, devido à educação que tive e à sociedade em que vivi, não consigo imaginar criar a minha família no bairro da luz vermelha (sim há pessoas que lá vivem), ir passear um filho pequeno e ver as prostitutas nas montras 24h por dia.

Nem pior nem melhor é apenas diferente! Muito diferente mesmo…

As bicicletas por todo o lado, os canais de água por toda a parte e as casas estreitas e alinhadas dão um carácter único à cidade. Com ou sem sol é uma cidade linda e há sempre que fazer e visitar. De bicicleta para o trabalho, para o café, para o parque apanhar sol, como desporto, elas dominam a cidade e têm prioridade sobre tudo excepto os eléctricos.

A comida. Este tema é rápido de comentar. Não há comida típica. Os holandeses não têm tempo / não querem cozinhar, por isso a maioria dos restaurantes são de comidas estrangeiras. É incrível ver a quantidade e variedade de comidas pré cozinhas que existem nos supermercados na Holanda. Mas são loucos por comida saudável, frutas, legumes, iogurtes, cereais, sumos naturais, etc.

Para não me afundar em estereótipos, e excluindo as misturas raciais que são tantas, o típico holandês (seja lá o que isso for) tem 1,90m de altura é branco, loiro, olhos claros e magro. Práticos e directos à acção, grande auto estima e um pouco “basófias”. Frieza típica de países nórdicos, mas acessíveis, divertidos e de mente aberta.

A quantidade de nacionalidades a viverem juntas na mesma cidade é incrível e bem visível em Amesterdão ao mudar de bairro para bairro como se muda de ruas cheias de chineses, para bairros turcos, italianos, etc.

A tolerância existe! Raças, religiões, preferência sexual tudo a partilhar um espaço comum abaixo do nível do mar, a tolerar-se. Mas que ninguém seja ingénuo ao pensar que é o paraíso como a canção “imagine” de John Lennon!

Dos países mais tolerantes de todo o mundo, a Holanda já não é o que era. Como por toda a Europa, existem problemas graves de emigração. O fantasma do escritor holandês assassinado por um muçulmano que não gostou da publicação de um livro sobre a forma como as mulheres turcas são tratadas na sociedade, ainda paira sobre o país das flores e dos moinhos de vento.

A jeito de remate acabo com uma lista de fotos curiosas:



Bicicletas – é rara a foto que não tem bicicletas. Vale transportar tudo! As compras, os filhos, atar o cão e ir pedalar para o Vondel Park. Na foto em baixo o vento era tanto que derrubou dezenas de bicicletas daí uma confusão enorme. Um género de Mikado mas em bicicletas em vez de pauzinhos.




Canais – apesar de muito diferente para possível comparação, prefiro os pequenos canais de água do centro de Amesterdão aos canais super lotados de Veneza. Com um pequeno barco, pode-se ir a quase todo o lado em Amesterdão e arredores. Deve ser curioso ver os mapas dos canais de água...

Redlight district – Mundialmente conhecido, o bairro da luz vermelha faz juz ao nome. Várias ruas que formam um bairro em que a prostituição está presente e sem esconder 24 horas por dia. Por trás de cada vitrine das montras do rés do chão e do primeiro andar, profissionais do ramo de todas as raças, formas e cores, provocam e chamam quem passa. Sempre com a lâmpada de neon vermelho por cima da montra a assinalar a presença. O cliente aproxima-se da montra, discute-se o preço, "suck and fuck" é o nome dado ao serviço padrão, os extras pagam mais Entra-se, a cortina da montra é fechada e tudo acontece ali mesmo.
Curiosidade: O aluguer mensal de uma montra numa das ruas principais pode ir até aos 5000€, que já inclui protecção e seguros. Não existe ninguém "obrigado" nas montras.



Coffee shops – Existem para todos os gostos. O conceito do consumo de haxixe e marijuana é igual em todos, só muda a decoração e o tipo de música que passa. Desde rock da pesada a chill out e ambiente lounge. Existe uma zona própria para fumar e na maioria deles não são permitidas bebidas alcoolicas. Apenas chás e bebidas energéticas. Todos têm um menu com preços separado em 2 categorias. Erva ou Haxixe, em grama ou pré-enrolada. Vários sabores, misturas e origens. Preços rondam os 8 a 12 euros a grama.

Muito divulgado também são os space cakes (queques com erva dentro) e os cogumelos mágicos para todo o tipo de efeito desejado.

Em baixo uma foto tirada no museu da cerveja Heineken e outra com jogadores de xadrez de rua tirada perto do VondelPark. Todas as fotos podem ser vistas em mais detalhe clicando em cima.

segunda-feira, abril 02, 2007

"Hoorn" a ultima barreira...

Holanda. Há quem diga países baixos.

Apesar de já ter ido à Holanda várias vezes, só na última visita pude verificar literalmente o facto do estar, abaixo do nível do mar.

Em Portugal, zonas do Ribatejo também estão abaixo do nível das águas, mas não existe, ou eu ainda não conheço, nenhum local onde se possa visualizá-lo.

Bom, na Holanda estive na pequena cidade de Hoorn onde se pode visualizar esse facto. Muito perto existe um enorme dique que protege a subida do nível das águas em Amesterdão. Não é alto e imponente como uma barragem, e é isso que impressiona, é baixo e o vento que se sentia fazia as ondas ultrapassarem a barreira molhando os carros que passavam. É uma pequena elevação de vários quilómetros com uma estrada no topo e com vários centros de controlo para deixar entrar a água. Na foto seguinte dá para ver de um lado a água a um nível muito superior ao das casas que estão no outro lado da “estrada/dique”.



Eu, André, Gary e Heini fomos num domingo pela manhã rumo a norte e ao fim de meia hora de caminho primeira paragem.

Tivemos “azar” com o tempo, por isso houve pouca vontade para descobrir e visitar melhor a cidade e as instalações do sistema de controlo das águas. (Na Holanda chove e faz vento em média 9 meses por ano). O vento estava fortissimo...



Fizemos paragem num café local muito pitoresco e acolhedor. Os clientes habituais, em que todos se conheciam, jogavam concentradamente às cartas enquanto bebiam chás e cafés. Uma conversa animada, uma pequena refeição e seguimos caminho. Aqui estão algumas fotos de Hoorn que tirei do Google Hearth.



Não admira que tenha sido pedido ajuda a engenheiros holandeses nas obras da tão demorada estação de metro do terreiro do paço em Lisboa. Os holandeses dominam o controlo das águas! Uma grande parte do país foi construída sobre água e com os constantes movimentos das lamas muitas casas afundam-se ou entortam. Há ainda a opção das casas barco que existem um pouco por todos os canais de água em Amesterdão. A seguinte foto vale por mil palavras:

quarta-feira, março 21, 2007

"Quase Primavera"

Queixar! Queixar faz parte da condição humana, da nossa constante insatisfação por mais positiva que seja a situação.

O caminho fácil é pensar que há sempre algo ou alguém que está pior que nós… Pois para quem tem uma vida óptima, mas insiste em queixar-se do fantástico clima português, aconselho a visualização deste vídeo.

Enquanto a primavera não chega, enquanto as temperaturas não sobem, enquanto as constipações não desaparecem, vejam como podia ser bastante pior…



Filmado em Amesterdão, Segunda-feira, 19 de Março de 2007.

Regresso de Férias

Sejam férias de 3 dias, sejam de um mês, o choque de voltar ao trabalho é inevitável. Custa concentrar, o corpo queixa-se ao voltar às rotinas das refeições ou aos longos períodos sem comer nada.

Foram curtas, mas deu para descansar; mentalmente pelo menos. Ao regressar à rotina diária, regressa-se com mais clareza, faz-se uma introspecção à vida, foca-se no que é o essencial, elimina-se o que era supérfluo.

Foi óptimo voltar a ver amizades antigas! Sim! Sim vale a pena investir em amizades entre pessoas de outros países! Apenas se consegue manter contacto com uma percentagem muito pequena devido à distância, mas esse pequeno número compensa por tudo!

Volto com o coração e a mente cheios de pensamentos positivos. Cito aqui frases ditas ou escritas pelos que me amo e que me amam:

“It was great seeing you! We both send you hugs! Keep in touch…”

“Acredita em ti! Tu consegues! Tu tens o que eles querem!”

“Tenho pensado muito em ti!... Quando voltas?!”

“…é bom ver-te animado! Vá lá, uma sms! Jocas”

E ainda a frase considerada a mais chocante / engraçada da estadia em Amesterdão:

“Since i don’t want to jump from the window, i don’t have too many options, i’ll be here!”

terça-feira, março 13, 2007

Quando as viagens correm "mal" - Parte II

Polónia – 2004

Em pleno semestre como estudante erasmus em Cracóvia, Polónia, queria aproveitar um fim de semana grande em Novembro para uma viagem ao noroeste do país.

Nota histórica ___________________________________

Entre 1918, fim da primeira grande guerra, e 1939, início da segunda, foi o curto período em que a Polónia foi independente como país, depois de vários séculos de ocupação dos vários vizinhos (Alemães, Russos, Suecos, Turcos, e a lista não termina).

11 de Novembro de 1918 comemora-se o dia em que a Polónia voltou a aparecer no mapa como país independente após vários séculos de luta pelo território perdido.
_____________________________________

Fiquei eu o responsável por organizar a excursão, mobilizar pessoas, ver horários, arranjar alojamento. Com experiência em organizar excursões para os Erasmus em Lisboa, EIN , aprendi que ao princípio ninguém se inscreve à espera de ver se há muitos inscritos, em cima da data é tudo a mostrar interesse, quando é tarde para reservar o quer que seja. E assim foi, acabei por ir apenas com 2 amigos italianos que viviam comigo. Andreas e António:

O grupo maior apareceu um dia depois, mas como não reservaram alojamento, tiveram de voltar mais cedo.


O plano era Wroclaw e Poznan, de onde são a maioria dos meus amigos polacos que estudaram em Lisboa. Para quem se interessa pela geografia da viagem aqui vai, click no mapa para visão maximizada:



Para mais informações turísticas, e não só, sobre a Polónia visitem o site:

http://poland.gov.pl/



Realmente houve inúmeros pequenos detalhes, que fizeram com que a visita a 2 interessantes cidades fora dos destinos “típicos” de turismo corresse mal. Para além do turismo em Novembro está fora de época, o nevoeiro constante e a dificuldade em arranjar alojamento e transporte, devido aos feriados, deitaram por terra a flexibilidade da viagem. É preciso ter espírito aventureiro para viajar na Polónia para além das muito visitadas Kraków e Warsaw.

Parecia que conhecíamos apenas as pessoas antipáticas do país, ao perguntar informações, ao comprar bilhetes, muito difícil a comunicação. Aliás turismo em grande parte da Polónia é algo ainda muito recente e é frequente encontrar pessoas intolerantes ou impacientes para com as perguntas e duvidas dos turistas, que insistem em falar inglês.

Bom, não há-de ser muito diferente para turistas no nosso país numa viagem a Castelo Branco ou a Bragança durante o mês de Novembro.

Apesar disso, o espírito do grupo estava em alta e, como se verifica na foto, divertimo-nos muito! A parada militar alusiva ao dia da independência a que assistimos assim que chegámos a Wroclaw foi incrível!

Para além das tropas também desfilaram escolas com as crianças mascaradas com figuras conhecidas da história polaca.

Engraçado que as crianças ao desfilarem e notarem na presença dos 3 turistas gritavam:

“Wlochski! Wlochski!” que significa “italianinhos”.

Qualquer cidade da Europa de leste se orgulha da sua praça central (rynek glowny), por isso é comum os edifícios das câmaras municipais serem sempre pontos de interesse e terem as mais variadas formas e cores.

Rynek Glowny em Wroclaw:



Os graus negativos e o nevoeiro marcaram a rapidez, mas no entanto, a atmosfera mágica da visita à cidade, tornando incríveis as fotos à fachada do antigo edifício universitário:

Tivemos uma noitada de Sábado na noite estudantil de Wroclaw de arromba, que agravou o meu estado de saúde, quem corre por gosto não cansa. Mas sofre… Só já em Poznan é que a febre apertou.

Ficámos logo à chegada com a nossa estadia mais curta, porque só se arranjou alojamento para uma noite.

Eu aproveitei o dia para visitar amigos e como já conhecia a cidade, só na manhã seguinte me juntei aos italianos para dar uma volta pelo centro.

Na minha opinião, a praça central de Poznan é das mais bonitas de todas as cidades polacas. As casas estreitas rigorosamente alinhadas, pintadas com cores fortes, levam-nos para séculos passados. O edifício estatal (Ratusz) no centro tem mais ar de catedral do que outra coisa. Ao olhar a foto seguinte parece que centenas de pessoas olham admiradas para um WC público.



Mas não, nada tem de curioso. O momento mais turístico na praça central de Poznan, é o tocar do meio-dia no relógio do Ratusz, que faz com que 2 cabras saiam, género cucos, e choquem com os cornos 12 vezes. É por isso que todos os turistas aguardavam…




UUUAAAUUUU… Impressive… Fantasticzny!




Para turistas sem um bom livro guia ou sem a preparação prévia, os postos de informação turística são como oásis num deserto de incertezas, duvidas e ansiedades. Pois a gota de água no fim de semana difícil, foi o encerramento do posto de turismo de Poznan aos fins de semana. Realmente quem é que anda a passear aos fins de semana?

O rolo que vêm no trinco da porta é uma reclamação “forte em calão inglês” que algum turista revoltado antes de nós deixou às autoridades.

E volto a pensar para os meus botões: “Não te queixes! O ponto de informação da Rua Augusta em Lisboa fecha 2 às vezes 3 horas para almoço e está encerrado aos domingos”…

Posto isto só restava voltar a Kraków numa viagem de 4 horas num comboio cheio com o aquecimento avariado, com muita febre e a pensar: “Nos próximos fins de semana fico em casa a estudar para os exames”. É mais fácil…

Reforço novamente que apesar de haver bons e “menos bons” momentos em todas as viagens, são estes últimos que no ficam gravados com mais força na memória. São os sarilhos e as dificuldades sentidas que dão histórias engraçadas para contar mais tarde.

sexta-feira, março 09, 2007

Quando as viagens correm "mal"

Facto:

As memórias que guardamos das viagens que fazemos são, grande parte, associadas a algo que correu mal!

Porquê?

Ter um plano para cada viagem é normal, mas este existe para ser mudado e ajustado. Ora são estas mudanças, estes erros ou desvios ao plano inicial que tornam as viagens inesquecíveis. A aldeia que não se esperava visitar, mas que acabou por ser mais interessante e impressionante que a cidade de que todos os guias falavam por exemplo. Viajar acaba por ser isso mesmo, um saltar para um desconhecido cheio de vontade e sede de aventuras.
Cito aqui uma frase do livro "The Beach" que deu origem ao filme com o mesmo nome, cliquem:

"search for experience, the quest for something different"

Todas as minhas peregrinações têm histórias destas, mas passo a descrever 2 dessas aventuras que me marcaram e que servem de exemplo.

Itália, Verão 2001.

Oh, mas que viagem cheia de surpresas. Apesar de uma viagem bem planeada, com estadia e bilhetes já tudo comprado, lá ocorreram imprevistos surpreendentes. Com o Tiago e o David, visitámos Roma, Florença, Nápoles com uma breve passagem pela ilha de Capri em 15 dias.

Enquanto programávamos a nossa viagem, uma desconhecida ao saber que íamos para Roma em Agosto, ficou chocada devido ao calor que sabia que íamos passar e o seguinte diálogo teve lugar algures no Saldanha:

Desconhecida – Vão para Roma?!?! (olhos esbugalhados, tom de voz demasiado alto)
David – Sim, vamos! 4 dias!
Desconhecida – Vão mesmo para Roma em Agosto?!?!
David, Tiago e eu – Sim. (olhando uns para os outros cor ar desconfiado)
Desconhecida – VÃO ARDER EM ROMA!!!! UAHHAHHAHAHH…(olhos raiados de vermelho, mãos no ar, voz alterada e uma gargalhada daquelas típicas de qualquer demónio num filme de terror).

Dito e feito!

Ou bruxa, ou psicopata ou simplesmente uma viajante experiente, foi o que aconteceu. Apanhámos cá uma onda de calor na viagem que senão ardemos, pelo menos derretemos pelos kms que caminhámos. Lembrámo-nos da senhora durante toda a viagem…

De todos os clichés turísticos típicos, apenas fiquei impressionado e ainda guardo memória do Coliseu Romano e da cúpula da Capela Du Duomo em Florença, que tem um fresco impressionante com imagens do promontório.

Mas agora regressando aos momentos inesquecíveis, aos momentos sal e pimenta dos passeios:

Sem esperarmos, passámos um dia bestial num lago enorme rodeado de montanhas a 40km a norte de Roma. Não estava planeado, mas o convite de duas amigas holandesas veio a calhar, escapar à rotina: ruínas romanas, pizzas e vinho e galerias com kms de quadros com “Madonna con Bambino” ou de Jesus crucificado.

O Tiago e o David juntos são autênticas estrelas musicais do improviso e do stand up comedy. Recordo um karaoke no Porto e um fim de tarde com fados gaúchos improvisados pelo David e acompanhados na viola pelo Tiago. Veja você mesmo este VIDEOCLIP mudo… em breve no TOP de vendas.



Numa noite ao regressar à pousada de Roma, tivemos de dar uma corrida para apanhar o último autocarro. E porque dar a volta à Praça circular de Sº Pedro, quando bastava saltar uma pequena cerca de madeira e atravessar a praça em linha recta? Ao atravessarmos esse local sagrado notámos o olhar incrédulo dos que passavam do outro lado da cerca, a pressa era muito para parar e voltar atrás. Eis que se acendem umas luzes de um carro à nossa esquerda! Luzes essas que se foram aproximando até pararem à nossa frente a bloquear a nossa desenfreada corrida. Após falar algo em italiano, lá o agente da polícia disse em inglês:

Carabinieri – Where are you going? You jump the fence?
Nós – We have hurry to catch bus. We didn’t jump, it was open!
Carabinieri – Do you know is against the law crossing Saint’s Peter Square?
We – No!... Longo silêncio… (Segundos que parecem horas)
Carabinieri – Ah! Follow car!

Os curiosos amontoavam-se fora da cerca para ver quem foram os espertinhos que desafiaram as autoridades e entraram no protegido solo do Vaticano. Alguns abanavam a cabeça, outros fizeram comentários em italiano que não entendemos. E lá fomos nós até às cercas que limitam a praça com o carro da polícia atrás de nós com os faróis ligados a “guiar-nos o caminho” e a abrir-nos as cercas…

Humilhante? Divertido? Ridículo?

Pouco importa… apanhámos o autocarro!


O melhor para o final. Comboio a chegar a Florença. Vimos uma placa a dizer “Firenze” e: “É aqui! É aqui! Saiam saiam!”

Os 3 fora do comboio e reparamos que estamos enganados. Era um estaleiro de conserto de carruagens. O comboio volta a partir para a correcta estação principal e todos os outros viajantes a olharem das janelas para nós com cara de espanto.

Agora imagine-se o que poderá ter sentido ou pensado um trabalhador com a imagem de 3 putos com as malas às costas numa linha de comboio a virem do nada com um calor de abrasante de meio da tarde… Um lá decidiu vir ter connosco e encaminhou-nos para a saída do estaleiro sem antes nos “mostrar” a todos os outros trabalhadores e gozarem um bom bocado.

Antes de chegar à pousada quase noite ainda tivemos de atravessar uma auto-estrada a correr, caminhar uns kms, sair na paragem errada do autocarro e caminhar ainda mais um bocado.


Mensagem pessoal para os companheiros desta viagem: Muito se pode fazer com fronhas e lençóis de uma pousada…

“Cuidado com os mosquitos Tiago!” – “Nah… vou deixar a janela aberta, tá calor…”
Alguns anos passaram, mas são destes momentos que nunca se esquecem e que dão tema a conversas de café cheias de gargalhadas.

quarta-feira, março 07, 2007

Entrudo esteve no Bairro


Apesar do Carnaval celebrar o Entrudo, que é suposto expulsar os maus espíritos do Inverno, com o tempo que tem feito ainda suspiro por dias mais quentes e secos que os que têm feito. E quanto ao mês corrente, fica aqui o provérbio:

Março Marçagão, manhã de Inverno tarde de verão

Tempo perfeito para levar muita roupa e suar no trabalho, ou levar o casaco novo, mais fresco, acabado de comprar e apanhar uma constipação ao regressar à noite a casa. Chiça! Já estou a escrever demasiado sobre o clima… voltando ao Carnaval…

Quando era criança adorava esta época, estive uns anos sem gostar, mas nos últimos anos, surpreendentemente, voltei a gostar de celebrar.

Este ano foi no bairro alto. Não houve bailarico, nem comboios ao som da música pimba, mas o ambiente do Velvet, estava fantástico. Alguns frescos do Carnaval deste ano (clickem nas fotos para ver maior):




Apresento-vos Filipe Sinatra, detective privado e cantor amador de chuveiro:








Realmente as mulheres estavam loucas pela personagem:






Agora uma foto nunca antes tentada, nunca antes vista do grupo de foliões:




Velvet no Bairro Alto:

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Fim de semana "Tuga" - Apanhem sol!

A ti, que estás a ler, lanço-te um desafio:

Nós, portugueses, somos uma malta muito activa e tal e com hobbies muito variados e tal e coiso. 300 dias de sol por ano convidam aos passeios ao fim de semana….

Mas será que aproveitamos o nosso tempo livre, será que a maioria aproveita bem o sol? Hummm… penso que não…

Estou fora dos números, mas se alguém os tiver por favor diga-me. Excluindo o famoso “Sofá” e as outras actividades indoor, digamos que 80% da população ocupa o fim de semana nas seguintes actividades no exterior:


1º - Ir ver um jogo de bola;

Um clássico. Num país onde se caminha para um estádio de futebol por cada 1000 habitantes, é normal que seja o primeiro hobbie a ser referido. Ok! Mas além do fumo das bifanas e dos coiratos, sol apanha-se pouco, porque maioria dos estádios já são cobertos. Também há a grande probabilidade de voltar a casa mais stressado do que quando se foi…


2º - Ir a um mega centro comercial;

Há pessoas que conseguem conciliar esta actividade com o futebol. Seja porque os centros comerciais ficarem perto ou mesmo dentro dos estádios, quer seja porque há uns que têm uns ecrãs planos porreiros maiores que os de casa.

E não faço mais comentários a esta opção, porque sinceramente não a entendo… Viva o consumo desvairado, os “window shopers” e a malta que vive cheia de dividas! VIVA!

Penso que é possível viver dentro dum espaço destes, porque dá para lavar roupa, ir ao cinema, comer, sair à noite, ir ao ginásio, no entanto continua a não haver contacto com o Deus Sol.


3º - Ir de carro até a um local de interesse (rio, mar ou miradouro na montanha) e ficar dentro do carro;

Esta é que não entendo mesmo. E acontece muito…

É só irem a qualquer local à beira Tejo num dia de sol e lá estão eles; dezenas e centenas de carros parados com os ocupantes dentro. Argumentos… “Ah estava muito vento” ou “Não me queria sujar”…

Situação padrão. Um casal pára o carro. O senhor escuta o relato de futebol na rádio ou lê um jornal desportivo. A senhora faz tricot ou lê uma das revistas sobre famosos.

Há ainda quem em alternativa, troque o sofá de casa pelo banco do carro e tire umas valentes sonecas. Ou que substitua a cama pelo carro para a prática do amor…

Façam o que quiserem, mas saiam do carro! Apanhem sol!


4º - Fazer vários Kms de carro para ir ao tal restaurante típico, comer aquela peça de caça, ou com aqueles enchidos inesquecíveis.

Para terminar em grande, quem nunca foi numa dessas gloriosas saídas em família para almoçar ou jantar fora?
Muito poucos ainda não o fizeram…

A desculpa para a viagem é um monumento qualquer, uma igreja famosa, não interessa. O verdadeiro objectivo da viagem é a comida.

Até pode ser que haja interesse em ver determinada cidade ou local, mas já agora, experimenta-se aquele prato de peixe que um amigo me falou que fica a caminho.

Não é à toa que isso acontece… adoramos comer porque temos uma gastronomia simplesmente maravilhosa.


Conclusão…

Não crítico quem o faça, aliás, à excepção do 2º ponto, também pratico todas estas actividades lúdicas.


E finalmente o desafio que referi no inicio.

“Apanhem mais sol!”

Nos últimos dias tem estado terrível, mas assim que melhore vão apanhar sol, mas sejam originais! Podem não ter dinheiro para fazer kite surfing, podem não ter muita paciência para trepar montanhas, mas andem na rua e ao sol.


Sugestões em conta:

Vão para a varanda da vossa casa assar sardinhas de tronco nu.

Vão até à praia, molhem os pés e sujem-se (lembrem-se do anúncio duma marca famosa de detergente que diz “É bom sujar-se”).

Andem nos autocarros de turismo sem capota de estilo inglês.

Ajudem-me a tornar esta lista maior. Que sugerem para fazer no fim de semana, que seja económico e que inclua apanhar sol?? E esqueçam solários…

Aguardo com ansiedade as vossas sugestões e comentários...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Stastny novy rok! 2007

O próximo texto foi escrito por André Coelho acerca do nosso último encontro na passagem de ano:




Maybe all of you already know that Filipe the pilgrim, have been again on Eastern Europe (almost his home land after Portugal), to recover forces and get inspiration for the New Year and to kill all the ‘homesick’ feeling after his Erasmus.

The destination was chosen out of the blue, completely randomly and we end up in Bratislava. Bratislava is a very beautiful city that everybody tends to say …it’s ugly; it’s small, nothing to see.

Maybe there is a point on all that, is definitely small, there is not much to see if you compare with Rome or Paris, but it is a great place to be, all the charming cafés, the nice typical basement restaurants, the wonderful night life and the surrounding mountains around.

People are usually nice, although you still can find some remaining from the former communist times, the service is improving, not as bad as Prague (the worst customer service in the world, for sure by far).



The event it self, was great, we spent the New Year’s Eve with same friends of friends, enjoying the peaceful life of foggy and not yet snowy Bratislava.

Great party at home with a lot of drinking, chating and dancing, followed by an amazing run to city centre for the midnight.

Drinking remarks and recommendations:

"Demanovka" – sweet vodka menthol that warms you up all inside.

Czech Libre – Czech rum with Czech branded Cola.

"Slivovica" – Most famous type of vodka from Slovakia.

Kelt beer – One of the best beers I have ever tasted.



Great concert with local band Polemik, ska and reggae rhythms under low winter temperatures. Great part of responsibilities to the crazy jumping crowd.

Love all around us, calm late afternoon walks trough centre and the castle. Tasting local cuisine and wonderful, tasty and cheap beer, enjoying short holidays.

After Bratislava the 2 pilgrims went straight with Iveta to her home town, Bardejov, hermitage town from Unesco. In Bardejov we felt the christmas spirit in the beautiful central square and relaxing day on a SPA, where massage and Jacuzzi were the main activities of the day.

Unforgettable the home made beans soap we ate at Iveta’s. Thanks to Mlynarova family hospitality!


After this short visit, the 2 pilgrims were again back on track at the old style from older times…by Night train….to the ‘mainland’ the city of Krakow. Krakow is just a great place to visit, to live and to be. All 3 in one! :)

The days they were just great as usually, many nice cafés, restaurants, nice walks, nice places to go out, nice memories. Meeting old friends, seeing favourite places, time passes quickly.

Curiosity about Krakow: The main square of Krakow – Rynek Gwony, was considered the most beautiful square in the world by the artist society, competing with famous square like, Tim square in New York and Picadily in London.
(
www.pps.org).

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Onda de Optimismo

Texto escrito Sábado, 3 de Fevereiro:

Há dias difíceis em que custa acreditar numa solução para os problemas, um pessimismo que nos bloqueia de fazer o que é fundamental e me impede de avançar.

Hoje sem motivo aparente sinto-me num estado de embriaguez de positividade, tudo me parece concretizável, tudo o que me rodeia parece certo e feliz.

Tenho lido sobre o poder do optimismo e como pode fazer a diferença nesta vida. Como o optimismo pode mover montanhas e fazer milagres, já roçando o conceito de “fé”. Tenho muitas dúvidas que assim seja, mas hoje parece que alguém quer me fazer acreditar nessas teorias.

Situação típica:

Colombo! Piso dos restaurantes, fim de semana, 13:30.

Só a muito custo consigo arranjar mesa e demorar umas boas 2 voltas ao local até encontrar onde pousar o meu tabuleiro e desfrutar da refeição. Visível a cara de “decepção” de pessoas que não conseguem arranjar lugar e vêem outros, ainda sem comida, a reservar mesa e olhando em volta com ar ansioso procurando a sua companhia que trás comida.

Por sorte, por força do optimismo ou apenas no lugar certo no momento certo, lá consigo sentar-me.

Quase de seguida uma mesa vazia e um senhor sozinho, que a vê primeiro, dá prioridade a uma mãe com 3 filhos e com sacos de compras. Cede-lhes a mesa. Automaticamente, digo ao senhor para se sentar comigo.

O seu sorriso e “obrigado” sincero, alimentam ainda mais a minha embriaguez de optimismo. E como que magia, uma onda de boa vontade espalha-se ao redor e vejo múltiplos gestos de bondade.

Um senhor retira os tabuleiros de uma mesa para que outra senhora pouse o seu. Sem a conhecer. Outro procura uma cadeira vazia e alguém grita: “tem aqui esta”, “leve-a”, etc, etc,etc…

Fixe!

Hoje e enquanto durar vou aproveitar e desfrutar desta vaga de optimismo, acreditar que vale a pena praticar o bem e que apesar de muitos defeitos, de muitos lados negativos, a bondade existe na natureza dos seres humanos.

À semelhança do slogan dos sumos “Essencial” da Compal: “Já comeu fruta hoje?”, deixo aqui um outro slogan para cada dia do ano:

“Já fez alguma bondade hoje?”