terça-feira, junho 20, 2006

Das montanhas Tatra para a cidade de Madrid

Durante o meu erasmus em Kraków tive de fazer uma apresentação sobre Portugal com um público de cerca de 100 erasmus bêbados num acampamento nas montanhas Tatra. Antes de mim, a apresentação de Espanha incluiu uma tourada com um touro polaco e a apresentação francesa incluiu muita música, dança e 2 homens a beijarem-se. Sendo o único português era complicado elaborar uma apresentação complicada como os meus colegas com grupos de 20 e mais pessoas. A responsabilidade era enorme, mas correu bastante bem! Umas piadas iniciais, seguidas de um marketing agressivo sobre as razões de visitar Portugal e como me pediram para falar a minha língua nativa que muitos desconheciam, recitei toda a letra do nosso hino, não cantado, mas como lendo um excerto dos Lusíadas.

No início dessa noite assisti a uma discussão entre um polaco, alemão e francês sobre quem é o centro da Europa. Todos se consideram o centro da Europa. Os meus estudos em Kraków chamavam-se European studies in Central Europe. Tudo muito subjectivo…

Uma das minhas piadas iniciais na exposição sobre Portugal foi mais ou menos assim:

“Everybody wants to be in the centre! France, Poland, Germany, discuss about it. At least we Portuguese are sure about one thing! We are in the West! No doubt about it! So tonight I advice you: GO WEST! Why?!? Because we have 300 days of sun in a year…”

E continuou o discurso de agente turístico que frequentemente uso. Fiquei em segundo lugar e ganhei uma garrafa de wótka! Portugal soma e segue!

Isto para concluir que a alcunha que o meu pai me deu, Peregrino do Leste, não podia ser mais apropriada! A não ser que me desloque até ao cabo da Roca, para onde quer que viaje na Europa estou a ir para Este.

E foi assim que recentemente me apresentaram uma oferta para trabalhar fora do nosso país. O apelo lá de fora desde o final do curso que o sentia, logo disse sim sem hesitar. A partir de Julho vou trabalhar para “leste”, para Madrid. No entanto vou continuar a trabalhar para uma empresa portuguesa e a dar a minha contribuição a esta terra de Sol no cantinho da Europa.

sexta-feira, junho 16, 2006

Emigrantes Polacos

Tenho acompanhado o êxodo massivo dos emigrantes polacos após a entrada na EU. Como maior parte dos países lhes fechou a porta do mercado de trabalho, só a Irlanda e a Inglaterra têm beneficiado desta mão de obra barata e altamente qualificada. E já vamos com 800.000 na Irlanda e 1.000.000 na Inglaterra. Ao contrário de nós, os emigrantes qualificados ficam e os menos são mandados embora após o trabalho temporário. Num estudo sobre emigração polaca no site da EU, li a opinião de uma emigrante polaca de como se deve fazer para sair dos trabalhinhos de serviço às mesas para posições mais altas nas empresas inglesas e irlandesas.

Reparem na determinação destes eslavos:

“The way it works is like this. You start off in a bar or restaurant. You get to know the costumers and find out what they do. When you find one who has the kind of work that you like and can do, you make friends with them and try to get introduced to their boss. Then you persuade him to try you out for a week, even unpaid. And because you are polish and have good skills and work hard, you will get a job. Maybe even your new friend’s job

Hehehe! Isc, isc polska!

quarta-feira, junho 14, 2006

Momento Zen - Mont Saint Michel

Entre a Normandia e a Bretanha existe um lugar encantado. Um castelo mágico que nos fala de lendas, traições, histórias de amor e fé.

Mont St. Michel!

Tinha conhecimento das grandes marés vivas do norte de França, mas fiquei impressionado com a rapidez com que a água sobe, incrível! No meio de uma planície a perder de vista foi construída uma fortaleza que fica rodeada por água por todos os lados durante a maré cheia.

A visita acabou por não ser muito agradável, porque fui no 1º de Maio e estava a “deitar por fora” de turistas. Um oceano de turistas atafulhados pelas ruas, ruelas e becos da aldeola em redor da principal catedral. Impossível o tráfego…

Fica o registo da grandeza do local, o misticismo, que embora enevoado pelas ordas de turistas, me deliciou com um sentimento de isolamento e paz com água a perder de vista em todas as direcções.

Termino com uma foto minha em plena interacção com os hábitos alimentares dos locais.

segunda-feira, junho 12, 2006

Dia D - Os bons e os maus

Uma semana na Normandia não deu para visitar todos os museus sobre o dia D, não deu para entrar em todas as ruínas de bunkers e fotografar todos os tanques. Para um aficionado como eu em assuntos da segunda guerra mundial foi uma semana em cheio ver de perto os cenários do maior desembarque da história e talvez das decisões mais polémicas por parte dos aliados.

O que realmente interessa dizer é que quem escreve livros é quem ganha a guerra, porque quem perde, ou desaparece ou evita o assunto por ser difícil a derrota. Aliados bons, alemães maus, talvez assim fosse… era mesmo! No entanto no que toca a morrer acontece dos 2 lados e custa tanto um soldado morto americano do que um soldado morto alemão. Ao menos para mim… Vidas desperdiçadas, gerações interrompidas…

Para quem já viu o resgate do soldado Ryan, lembra-se do cemitério americano com os crucifixos brancos todos alinhados geometricamente assinalando os milhares de mortos (Omaha Beach morreram 6300 homens em hora e meia) do dia D. Eu estive lá!

O local merece respeito! Ao bom estilo americano o lugar é incrivelmente pomposo! À beira de uma falésia com vista para a fatídica praia, as cruzes alinhadas, um templo com uma estátua a lembrar um Deus grego! Venda de lembranças e claro a abarrotar de visitas. Aliás todos os guias indicam o cemitério como um ponto a não perder na descoberta da Normandia.

No entanto o peregrino, pragmático como sempre, insistiu em descobrir onde param os corpos dos alemães que morreram na libertação de França. Tarefa difícil! Se o cemitério americano está bem assinalado nas estradas e nos guias, o cemitério alemão… nada.

Depois de muitas perguntas aos locais, depois de uma hora de estradas secundárias chegámos. Lá estava ele! Apertado entre os nós de 2 autoestradas, longe de qualquer aldeia ou povoação, o cemitério alemão foi a maior surpresa de toda a viagem.

Porquê? Simples! A austeridade, frieza e rigor dos alemães tornam um cemitério num local no mínimo perturbador. A entrada era efectivamente um bunker cinzento, com uma chama na entrada e inscrições apenas em alemão. Uma enorme área de relva com um monte ao meio onde 2 anjos negros com um crucifixo ao meio vigiam os túmulos.

Incrível a existência de corvos no cemitério alemão e a ausência destes no americano. A assinalar cada morte uma chapa na relva com o nome, data da morte e a posto de comando. As fotos falam por si…

Quando o homem brinca às guerras sejam quais forem os ideais é incrível a destruição que consegue causar. Nunca gostei de números destes mas deixo aqui 2:

Durante os primeiros confrontos após o dia D, morreram cerca de 20.000 soldados aliados e morreram quase 100.000 soldados alemães…

segunda-feira, maio 15, 2006

Dissertação acerca da nossa culinária

Achei apropriado escrever aqui um pouco sobre doçaria nacional já que estamos na época de dietas com a época balnear bem à vista.

É de conhecimento geral que os portugueses são campeões mundiais em comer. Não podia ser de outra forma, porque, arrisco a dizer, temos a melhor culinária do mundo e arredores.

No entanto depois de viajar por esse mundo não pude deixar de reparar que apesar de usarmos bons e simples ingredientes, como o azeite, o peixe, o arroz, etc, abusamos e muito no sal. Daí estarmos à frente no número de pessoas que morrem todos os anos devido a problemas de hipertensão e veias bloqueadas devido ao sal.

Solução? Difícil… Para o Portuga a comida só está boa se tiver salgada e, no caso das sobremesas, doce.

Não existe uma santa terrinha que não tenha um doce típico regional. Tortas de Azeitão, Queixadas de Sintra, Pastéis de Belém, Travesseiros de "lá", Almofadas "de acolá", é possível fazer um "rally doces", tipo "rally tascas", que duraria uma semana ou mais.

Pessoalmente considero a nossa doçaria aborrecida. Ao fim de experimentar muitos deles são todos parecidos. A questão pertinente é esta:

“A base de todos os doces portugueses tem de ser os ovos e o açúcar?”

É sempre o mesmo doce amarelo com carradas de açúcar. Sempre! Alguns iluminados tentam pôr umas frutinhas nos bolos, mas claro cristalizadas e cheias de açúcar, e sabem a tudo menos a fruta. Enfim…

Engraçado o facto de nós, país de sol do oeste europeu, termos muito mais fruta todo o ano do que os nossos vizinhos do leste, e não as usarmos nos bolos.

A doçaria que mais conheço para além da nossa é claro a polaca. E eles têm muita variedade de sabores e aparência. Como usam muito mais fruta e menos açúcar e ovos nos bolos, estes tornam-se muito mais “leves” ao estômago. Claro que não trocava um pastel de Belém por 3 czarlotkas, no entanto é sobremesa, têm óptimo aspecto e sabor e claro engordam muito menos. Recomendo!

Agora reparem nos nomes dos bolos polacos:

- Napoleão
- Homem espanhol
- Czarlotka (tarte de maçã com canela)
- Italina

Nomes exóticos claro, pelo menos para eles.

Para acabar deixo mais um detalhe delicioso. O que para nós se chama salada russa, para os polacos chama-se salada francesa. Realmente o que comemos tem de ter um nome longínquo para saber melhor? Desafia-vos a responderem a estas questões pertinentes...

sexta-feira, maio 12, 2006

Novo membro no Blog

Sendo o André, o meu companheiro de muitas das aventuras aqui relatadas, convidei-o a participar como membro do Blog. Eu conto as histórias tipo Telejornal, enquanto ele tem uma veia mais poética. Benvindo Kroliku!

Um Paraiso perdido... um pôr do sol diferente

Se me perguntarem onde foi o sitio onde já gostei mais de estar, fica dificil de responder pois todos os sitios sao diferentes uns dos outros e cada um especial à sua maneira, mas no entanto existem sempre momentos que marcam a vida de uma viagem e que nunca mais se esquecem.

Falo de coisas unicas e nunca antes exploradas, coisas diferentes, lugares novos e longe dos olhares comuns que todos ouvem falar.

Lembro-me de um verão, um verão mágico (obviamente na companhia do Filipe) no ano de 2003. Exames acabaram no Iscte e mais um verão começou, faziamos as malas para mais uma aventura....mais uma viagem. Lá fomos nós mais uma vez rumo a um lugar diferente. Quando se falam em ilhas e praias exóticas na europa, 9 em cada 10 diria que estou a falar da Grécia....mas não.... bem pertinho num outro cantinho diferente existe um paraíso de praias e ilhas exóticas, que muitos não sabem bem onde é, outros ainda pensam que estão em guerra, outros acham que faz fronteira com o kazaquistão, mas estou a falar de um país que se chama Croácia.....

Um paraiso perdido do ‘outro lado’ de Itália. Uma reliquia com mais de 2100 ilhas pequenas o que faz o segundo pais da europa a seguir á Filandia com mais ilhas...surpresos!!!...., pois é.....um verdadeiro paraiso unico e ainda muito por explorar e longe dos olhares comuns dos turistas e dos roteiros mais populares.

Nesse verao tivemos em lugares absolutamente incriveis que os nosso olhos presenciaram e que nunca tinham visto.

Relembro-me de uma terra pacata no meio da região de istria algures no norte da Croácia com o nome de Pula. Terriola pequena com meia duzia de habitantes e um coliseu romano(ponto alto e unico da cidade em termos culturais). A simples viagem para chegar a Pula vindos da Eslovénia dava um livro. Por incrivel que pareca foi nesta pacata vila, que eu e o Filipe presenciamos um dos mais bonitos e incriveis por do sol que alguma vez vi na vida.

Ficamos na pousada da juventude longe de tudo e de todos, alem de pula já ficar perdida no mapa, tambem a pousada era perdida no mapa de Pula, algures no meio de rochedos e de olhares discretos lá se encontrava esta pacata e simples pousada, que tinha nada mais nada menos do que uma praia privativa, para aqueles que queriam desfrutar de um verão tranquilo aproveitando o que de melhor a vida nos deu.

Existia uma praia simples com agua transparente, em forma de "U" tal como nas imagens que vemos da Grécia das agências de viagens, mas nem queriamos acreditar onde tinhamos vindo parar.

Já dentro de água a sensação de estarmos num rio ou mesmo piscina era impossivel de não sentir, de tanta calma que nos rodeava naquelas águas calmas e quentes daquela praia embutida numa enseada que criava um silêncio próprio. No horizonte o sol já descia lentamente e relaxadamente como nós naquelas águas transparentes. O silêncio conseguia-se ouvir naquele instante em que o sol descia enquanto se mergulhava naquela água pura.

E em silêncio disfrutámos relaxadamente até o sol se pôr, um momento simples, uma paisagem única.....

Toda aquela calma, serinidade fazem com que elegessemos aquele lugar como unico e especial onde o sol se põe, tal como em todos os outros lugares, dia após dia, mas que o olhámos e sentimo-lo de forma diferente.

Posso dizer que nos sentimos contentes de ter tido a oportunidade de ter estado lá para viver a simplicidade da magnitude daquele pôr do sol naquele cantinho perdido de um pais que poucos conhecem...

O mito do Norte

Muitos são aqueles que pensam que no norte da europa encontra a terra do El-dourado, onde tudo é neve e gelo onde o povo é culto e educado, onde as sociedades são um exemplo a seguir....pois bem....brevemente neste blog perto de si a verdade sobre o mito dos paises nórdicos será desvendado....não perca....brevemente.

Praga, é moda!

Praga! Ou como escrevem os checos, Praha! Agora é moda… por isso os preços estarem o que estão, a procura é tanta! Ainda ninguém pensava em ir à república checa e já o peregrino do leste lá tinha posto a bandeira. Estávamos no ano de 2001 e lembro-me perfeitamente de um amigo do Barreiro me perguntar: “Praga?! Para quê?! Aquilo tem praia?” Ou ainda outro: “Tem cuidado que aquilo é perigoso!”

Antes de contar uma história engraçada deixo aqui uns pontos de vista muito meus.

- Existem cerca de meio milhão de americanos na cidade, em 2001 já eram 300.000. As relações com os EUA são fortes e são muitas as empresas que aos anos lá trabalham.

- A presença americana mais o turismo em massa dos últimos anos transformou a cidade. Praga é tudo menos checa. A avenida principal, onde decorre a história que conto mais abaixo, está repleta de casinos, restaurantes para bolsos e gostos americanos, fast food joints e à noite, prostituição total.

- Querem a verdadeira experiência checa? Então recomendo as florestas da Morávia ou a pitoresca cidade de Brno.

- A cidade é linda! Durante Setembro ou Outubro é a melhor altura para se visitar. Mais barato e as ruas não se encontram tão cheias de turistas.

Vamos à história:

A minha primeira visita à cidade mais o André calhou num verão muito chuvoso onde o rio transbordou, tudo fechado e maioria das pessoas a fugir da cidade para terras mais elevadas.

Neste cenário e nós a perguntar a um polícia por uma discoteca famosa que tínhamos lido no guia. Resposta: “Everything is closed! Go out of town!” Noites fraquíssimas… foi então que um “amigo africano” nos aborda quando já íamos a caminho do hotel.

“Psst! Psst! You should try the Empire Club! First drink for free, good music and wonderful girls!”

Suspeito claro! Mas à falta de melhor lá fomos. Claro está, entrámos numa casa de meninas. Tudo normal. Uma table dance a um canto, um strip com poste ao fundo, pouca luz, muitas mulheres bonitas e simpáticas, e claro na recepção, a senhora de idade líder do negócio.

Pedimos as 2ª bebidas e 2 meninas aproximam-se de nós cheias de simpatia. Depois de ter conversado com a Roxanne (tantos nomes de guerra tinha logo de ter este) 5 minutos, rapidamente percebeu que não vinha para consumir e perdeu o interesse na minha pessoa. Olho para o lado e o André conta à menina que lhe calhou toda a história da nossa viagem! Finalmente quando se cansou e ela percebeu que não havia “negócio” mandou-nos um olhar fulminante e voltou para o trabalho.

Nada de espectacular até aqui, mas o melhor aconteceu na hora de pagar. Parece que a primeira bebida grátis implica que a segunda custa o triplo do preço normal. Contamos as poucas coroas checas que tínhamos e não dava para pagar. Tiro o meu Visa Electron do cartão de estudante e a senhora de idade diz-me: “Only master card or visa” e ainda: “Don’t worry! Your friend stay here and you go to the bankomat to withdraw some money.”

Isto sem antes chamar a versão segurança de 2m com casaco de cabedal do Axterix para me seguir até ao Multibanco não fosse eu esquecer-me do André.

Foram momentos de tensão com o segurança a mostrar-me a arma por debaixo do casaco e a anular as minhas tentativas de meter conversa. E se o cartão não funcionasse?

Obrigado Caixa Geral de Depósitos por me teres safado naquela noite…

No dia seguinte partimos para norte para a Polónia porque para sul estava tudo inundado com as cheias do rio Danúbio. Foi nessa viagem “forçada” à Polónia que nasceu a minha paixão pelo país e uns dias depois estávamos a ver o Papa Jan Pawel Drugie na sua última visita a Kraków.

sexta-feira, maio 05, 2006

Momento Musical

Tenho uns gostos bem variados no que toca a música. De entre muitos e duma forma geral adoro cantoras com vozes muito femininas e cantores com vozes bem masculinas. O que exclui personagens como a Cher, Anastasia ou Justin Timberland.

Outros como o Michael Bublé ou Jamie Cullum mostram-nos que malta com o estilo e voz do Frank Sinatra existe ainda neste século e com menos idade. Hoje falo-vos aqui do Jamie Cullum. Pois é! Este rapaz com uma voz ainda por aperfeiçoar de constipação mistura o pop e o jazz duma forma bem cool.

A canção que dá nome ao seu álbum, Twenty Something, é fantástica! Descreve as dúvidas, as crises, os problemas típicos do solteiro com “20s e tais” anos. Como me auto insiro neste grupo a letra inquieta-me e dá aquela sensação de: “Ah! Afinal existem mais como eu!”


O ritmo é incrível, aconselho o download:

Twentysomething

After years of expensive education
A car full of books and anticipation
I'm an expert on Shakespeare and that's a hell of a lot
But the world don't need scholars as much as I thought
Maybe I'll go travelling for a year
Finding myself, or start a career
Could work the poor, though I'm hungry for fame
We all seem so different but we're just the same

Maybe I'll go to the gym, so I don't get fat
Aren't things more easy, with a tight six pack
Who knows the answers, who do you trust
I can't even seperate love from lust
Maybe I'll move back home and pay off my loans
Working nine to five, answering phones
But don't make me live for Friday nights
Drinking eight pints and getting in fights

Maybe I'll just fall in love
That could solve it all
Philosophers say that that's enough
There surely must be more
Love ain't the answer, nor is work
The truth elludes me so much it hurts
But I'm still having fun and I guess that's the key
I'm a twentysomething and I'll keep being me

terça-feira, abril 18, 2006

A margem errada do rio

A vida surpreende-nos quando menos esperamos. E quando pensamos que já vimos tudo, aí está ela a pregar-nos outra partida.

Apesar de ter crescido e ter vivido grandes momentos na minha terra natal (prefiro o equivalente inglês hometown), tirando a família e alguns grandes amigos, não tenho ligação alguma com o Barreiro. E quando viajo e me perguntam de onde sou, e do que sinto saudades quando estou fora muito tempo é sem dúvida da bela Lisboa.

O que causou tudo isto? Foi a ida para a faculdade, as horas nos transportes, o convívio no barco, as esperas de 50 minutos na estação quando perdia o barco das 13.20 e tinha de esperar pelo das 14.10, isto e muito mais foi a razão da minha ruptura com o Barreiro. Poderia no entanto condensar toda a culpa numa única palavra: TEJO.

Acredito que muitos barreirenses já pensaram pelo menos uma vez como seria se o Tejo secasse? Nem que seja quando perdem o barco de manhã debaixo de chuva ao correrem como loucos empurrando-se dos autocarros embaciados.

Como as hipóteses de abrir uma empresa concorrente à Soflusa ou abrir rotas de lanchas-taxi individuais não são possíveis ou de difícil implementação, eu sugiro que se culpe e se chame nomes a esse gajo, o TEJO.

E foi assim que me vi na margem errada do rio. Trabalho, namorada, amigos, saídas, tudo do outro lado, foi uma questão de tempo e dinheiro até ter mudado para Lisboa. O que aconteceu em 2001.

Agora o engraçado é que passado 5 anos de me ter mudado para Lisboa, em Janeiro do corrente, vi-me confrontado com a mesma situação, com o mesmo culpado, o TEJO!

Ora sendo o meu local de trabalho Almeirim (margem sul do Tejo) era natural que fosse nessa margem que ia viver, mas não! Ao fim de procurar casas para alugar e nada ter encontrado fui parar a Santarém (margem norte do Tejo). E lá está ele, todos os dias a caminho do trabalho o atravesso, agora de carro, de Santarém para Almeirim, sempre o mesmo culpado o TEJO.

Felizmente trânsito nas pontes é algo que não existe aqui e a largura do rio é substancialmente mais pequena. 15 Minutinhos é quanto demoro agora para sair da margem errada e ir trabalhar… mas demoro 1 hora para chegar à minha bela Lisboa…

quarta-feira, abril 12, 2006

Ano Novo - Nowy Roku


Já aqui escrevi sobre passagens de ano. Para alguns é apenas mais uma data, para outros e para mim é das melhores festas do ano. Esta data faz-me realmente pensar, reflectir sobre o que foi, o que é e o que será. Verdade que sempre levo a cerimónia das 12 passas muito a sério. Há sempre o perigo de criar demasiadas expectativas sobre a festa e sair decepcionado por estar à espera duma festa de arromba e afinal…

Eu corro esse risco! Faço sempre grandes expectativas e nos últimos anos não me tenho desiludido! Houveram 2 passagens de ano que jamais esquecerei. A do milénio 1999-2000 porque foi em Madrid com os meus amigos do Barreiro e por todas a mística que teve com a passagem do milénio. A de 2004-2005 que vou contar agora.

2004 e 2005 foi “A” passagem de ano. Foi um momento da minha vida em que se decidiu muita coisa. Onde tudo mudou… Estava eu em pleno semestre Erasmus na Polónia, Cracóvia, último ano da faculdade, já a saber que vinha estagiar para a Compal, a semanas de acabar com uma relação amorosa que durou quase 3 anos, enfim, um ponto de viragem.

Os meus amigos Pedro e Rui estavam de visita e vieram passar os últimos dias de 2004 comigo. Foi óptimo ao fim de 6 meses ter alguém com quem falar português novamente. Ao fim dum jantar muito bem preparado, mas com pouco ambiente festivo decidimos escapulirmo-nos e ir-nos juntar a outro grupo de amigos meus polacos.

Deviam estar mais de 100.000 pessoas na praça Rynek Glowny. Muito frio, mas ambiente muito quente. E foi assim que se passou 2004. Grande fogo de artifício. Cantando, rindo, saltando, ouvindo um concerto dos Milowicz, falando com desconhecidos, espalhando o amor! J Nowy roku! Nowy roku!


Engraçado foi nessa noite nos termos transformado em verdadeiros fura festas! Saltámos de festa em festa a espalhar a fé lusitana em troca apenas de uns copos de wotka e de uns amassos.


Saídos da praça entramos num táxi e rumo a festa na casa do meu amigo Jarek. Um pé de dança, um copo, e devido à interacção entre Rui e a namorada de Jarek, tivemos de sair de mansinho. Esta está feita. Novo táxi, nova viagem, sem antes fazermos amizade com 2 raparigas que já regressavam a casa.

“Epá ouvi falar numa festa de uns erasmus alemães na ulica miodowa!” – “Bora lá ver!” Chegamos tarde, alguns discutem, outros namoram, mas a festa já está a morrer… Procuro por caras conhecidas e encontro algumas. Uns dedos de conversa, que com a quantidade de álcool nas veias tornam-se em verdadeiros discursos poéticos, e partimos para outra…

Saudades desse ritmo…

O melhor de tudo é que nas noites seguintes foi mais do mesmo. Dizem que se o novo ano corre bem ou mal depende da forma como festejamos no dia 31 de Dezembro. Entrei no ano de 2005 a festejar, mas foi trabalhar sem parar desde Fevereiro, altura em que regressei a Portugal.

sexta-feira, abril 07, 2006

Missão Leste Profundo II- o regresso dos agentes


O assunto "core" deste blog seria as viagens que fiz, no entanto já ando a planear a próxima pelo que deixo aqui aos interessados uns pózinhos de como vai ser. Os agentes estão de volta... será a última vez??

Avião e comboio são os meios utilizados. 3 semanas. Poupar em refeições, poupar nas dormidas, gastar em cultura e noites sem restrições. Sigam a rota do mapa...

Agente Lice e agente Puah! O céu é o limite!

Provem!!

quarta-feira, abril 05, 2006

Visita "Flash" a Budapeste



Que melhor maneira de sair de 2005 do que ir 3 dias para a neve e o frio na companhia dos melhores amigos?? Cheguei a Budapeste a 30 de Dezembro e regressei no primeiro de Janeiro às 6 da manhã ainda sob efeito do votka. Maluco?? Um bocado... mas adorei! Obrigado Iveta! Obrigado Zsuzsa!

Reparem no brilho nos olhos do rapaz na foto! O votka... só mesmo um elixir desses para andar na rua com milhares de hungaros a dançar à neve e com 5 graus negativos!

Mas não tenham pena deles! Estes húngaros sabem divertir-se! 6 palcos com Djs espalhados pela cidade e um palco grande em frente ao parlamento com os equivalentes hungaros dos D'zrt. Imaginem a cara das minhas amigas quando tiro do bolso as passas à meia noite para os desejos! "O que estás a fazer?" Em vez de passas de uvas os hungaros andam com filas de salsichas ao pescoço ou em sacos para cozerem depois da meia noite: "Passas de uva?? Isso é para meninos! Toma mas é uma salsicha para puxar pela pinga!"



Factos aleatórios sobre Budapeste e Hungria:

  • O rio Danubio divide a cidade ao meio. Numa margem Buda, na outra Peste. Numa é bares, discos, comércio e lazer; na outra industrias, bancos, e so on.
  • A cidade tem inúmeras fontes de águas termais onde os habitantes e turistas se deliciam em banhos turcos, saunas, tratamentos, piscinas de água com iodo com tabuleiros de xadrez a boiar para jogar enquanto se trata a pele. Tudo isto em vários resorts termais para todos os tipos de carteiras.
  • Existem umas cinco estações de comboio com nomes muito idênticos. Em muitas das viagens em que fiz escala e tive de mudar de estação foi um quebra cabeças descobrir qual devia ir.
  • No Macdonalds do centro, existe um temporizador no balcão. Após o cliente ter pedido o seu menu, o restaurante tem 5 minutos para servir o cliente. Se o tempo se esgotar o pedido fica grátis! Era vê-los a correr que nem loucos...
  • Língua húngara; não se parece com nada com as dos paises vizinhos. Uma das mais complexas da UE.

Episódio num verão distante ao entrar numa raveparty em plena Budapeste:

(Porteiro) Boa noite!

(Filipe) Boa noite!

(Porteiro) Quantos são?

(Filipe) Somos nós os 4.

(Porteiro) Os senhores trazem armas brancas ou de fogo com vocês?

(Filipe olhando para amigos com ar incrédulo e surpreso)

(Resposta em coro) Não.

(Porteiro) Então podem entrar. Se faz favor...

"Gostei especialmente da prova de confiança que o porteiro depositou em nós"