quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Fim de semana "Tuga" - Apanhem sol!

A ti, que estás a ler, lanço-te um desafio:

Nós, portugueses, somos uma malta muito activa e tal e com hobbies muito variados e tal e coiso. 300 dias de sol por ano convidam aos passeios ao fim de semana….

Mas será que aproveitamos o nosso tempo livre, será que a maioria aproveita bem o sol? Hummm… penso que não…

Estou fora dos números, mas se alguém os tiver por favor diga-me. Excluindo o famoso “Sofá” e as outras actividades indoor, digamos que 80% da população ocupa o fim de semana nas seguintes actividades no exterior:


1º - Ir ver um jogo de bola;

Um clássico. Num país onde se caminha para um estádio de futebol por cada 1000 habitantes, é normal que seja o primeiro hobbie a ser referido. Ok! Mas além do fumo das bifanas e dos coiratos, sol apanha-se pouco, porque maioria dos estádios já são cobertos. Também há a grande probabilidade de voltar a casa mais stressado do que quando se foi…


2º - Ir a um mega centro comercial;

Há pessoas que conseguem conciliar esta actividade com o futebol. Seja porque os centros comerciais ficarem perto ou mesmo dentro dos estádios, quer seja porque há uns que têm uns ecrãs planos porreiros maiores que os de casa.

E não faço mais comentários a esta opção, porque sinceramente não a entendo… Viva o consumo desvairado, os “window shopers” e a malta que vive cheia de dividas! VIVA!

Penso que é possível viver dentro dum espaço destes, porque dá para lavar roupa, ir ao cinema, comer, sair à noite, ir ao ginásio, no entanto continua a não haver contacto com o Deus Sol.


3º - Ir de carro até a um local de interesse (rio, mar ou miradouro na montanha) e ficar dentro do carro;

Esta é que não entendo mesmo. E acontece muito…

É só irem a qualquer local à beira Tejo num dia de sol e lá estão eles; dezenas e centenas de carros parados com os ocupantes dentro. Argumentos… “Ah estava muito vento” ou “Não me queria sujar”…

Situação padrão. Um casal pára o carro. O senhor escuta o relato de futebol na rádio ou lê um jornal desportivo. A senhora faz tricot ou lê uma das revistas sobre famosos.

Há ainda quem em alternativa, troque o sofá de casa pelo banco do carro e tire umas valentes sonecas. Ou que substitua a cama pelo carro para a prática do amor…

Façam o que quiserem, mas saiam do carro! Apanhem sol!


4º - Fazer vários Kms de carro para ir ao tal restaurante típico, comer aquela peça de caça, ou com aqueles enchidos inesquecíveis.

Para terminar em grande, quem nunca foi numa dessas gloriosas saídas em família para almoçar ou jantar fora?
Muito poucos ainda não o fizeram…

A desculpa para a viagem é um monumento qualquer, uma igreja famosa, não interessa. O verdadeiro objectivo da viagem é a comida.

Até pode ser que haja interesse em ver determinada cidade ou local, mas já agora, experimenta-se aquele prato de peixe que um amigo me falou que fica a caminho.

Não é à toa que isso acontece… adoramos comer porque temos uma gastronomia simplesmente maravilhosa.


Conclusão…

Não crítico quem o faça, aliás, à excepção do 2º ponto, também pratico todas estas actividades lúdicas.


E finalmente o desafio que referi no inicio.

“Apanhem mais sol!”

Nos últimos dias tem estado terrível, mas assim que melhore vão apanhar sol, mas sejam originais! Podem não ter dinheiro para fazer kite surfing, podem não ter muita paciência para trepar montanhas, mas andem na rua e ao sol.


Sugestões em conta:

Vão para a varanda da vossa casa assar sardinhas de tronco nu.

Vão até à praia, molhem os pés e sujem-se (lembrem-se do anúncio duma marca famosa de detergente que diz “É bom sujar-se”).

Andem nos autocarros de turismo sem capota de estilo inglês.

Ajudem-me a tornar esta lista maior. Que sugerem para fazer no fim de semana, que seja económico e que inclua apanhar sol?? E esqueçam solários…

Aguardo com ansiedade as vossas sugestões e comentários...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Stastny novy rok! 2007

O próximo texto foi escrito por André Coelho acerca do nosso último encontro na passagem de ano:




Maybe all of you already know that Filipe the pilgrim, have been again on Eastern Europe (almost his home land after Portugal), to recover forces and get inspiration for the New Year and to kill all the ‘homesick’ feeling after his Erasmus.

The destination was chosen out of the blue, completely randomly and we end up in Bratislava. Bratislava is a very beautiful city that everybody tends to say …it’s ugly; it’s small, nothing to see.

Maybe there is a point on all that, is definitely small, there is not much to see if you compare with Rome or Paris, but it is a great place to be, all the charming cafés, the nice typical basement restaurants, the wonderful night life and the surrounding mountains around.

People are usually nice, although you still can find some remaining from the former communist times, the service is improving, not as bad as Prague (the worst customer service in the world, for sure by far).



The event it self, was great, we spent the New Year’s Eve with same friends of friends, enjoying the peaceful life of foggy and not yet snowy Bratislava.

Great party at home with a lot of drinking, chating and dancing, followed by an amazing run to city centre for the midnight.

Drinking remarks and recommendations:

"Demanovka" – sweet vodka menthol that warms you up all inside.

Czech Libre – Czech rum with Czech branded Cola.

"Slivovica" – Most famous type of vodka from Slovakia.

Kelt beer – One of the best beers I have ever tasted.



Great concert with local band Polemik, ska and reggae rhythms under low winter temperatures. Great part of responsibilities to the crazy jumping crowd.

Love all around us, calm late afternoon walks trough centre and the castle. Tasting local cuisine and wonderful, tasty and cheap beer, enjoying short holidays.

After Bratislava the 2 pilgrims went straight with Iveta to her home town, Bardejov, hermitage town from Unesco. In Bardejov we felt the christmas spirit in the beautiful central square and relaxing day on a SPA, where massage and Jacuzzi were the main activities of the day.

Unforgettable the home made beans soap we ate at Iveta’s. Thanks to Mlynarova family hospitality!


After this short visit, the 2 pilgrims were again back on track at the old style from older times…by Night train….to the ‘mainland’ the city of Krakow. Krakow is just a great place to visit, to live and to be. All 3 in one! :)

The days they were just great as usually, many nice cafés, restaurants, nice walks, nice places to go out, nice memories. Meeting old friends, seeing favourite places, time passes quickly.

Curiosity about Krakow: The main square of Krakow – Rynek Gwony, was considered the most beautiful square in the world by the artist society, competing with famous square like, Tim square in New York and Picadily in London.
(
www.pps.org).

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Onda de Optimismo

Texto escrito Sábado, 3 de Fevereiro:

Há dias difíceis em que custa acreditar numa solução para os problemas, um pessimismo que nos bloqueia de fazer o que é fundamental e me impede de avançar.

Hoje sem motivo aparente sinto-me num estado de embriaguez de positividade, tudo me parece concretizável, tudo o que me rodeia parece certo e feliz.

Tenho lido sobre o poder do optimismo e como pode fazer a diferença nesta vida. Como o optimismo pode mover montanhas e fazer milagres, já roçando o conceito de “fé”. Tenho muitas dúvidas que assim seja, mas hoje parece que alguém quer me fazer acreditar nessas teorias.

Situação típica:

Colombo! Piso dos restaurantes, fim de semana, 13:30.

Só a muito custo consigo arranjar mesa e demorar umas boas 2 voltas ao local até encontrar onde pousar o meu tabuleiro e desfrutar da refeição. Visível a cara de “decepção” de pessoas que não conseguem arranjar lugar e vêem outros, ainda sem comida, a reservar mesa e olhando em volta com ar ansioso procurando a sua companhia que trás comida.

Por sorte, por força do optimismo ou apenas no lugar certo no momento certo, lá consigo sentar-me.

Quase de seguida uma mesa vazia e um senhor sozinho, que a vê primeiro, dá prioridade a uma mãe com 3 filhos e com sacos de compras. Cede-lhes a mesa. Automaticamente, digo ao senhor para se sentar comigo.

O seu sorriso e “obrigado” sincero, alimentam ainda mais a minha embriaguez de optimismo. E como que magia, uma onda de boa vontade espalha-se ao redor e vejo múltiplos gestos de bondade.

Um senhor retira os tabuleiros de uma mesa para que outra senhora pouse o seu. Sem a conhecer. Outro procura uma cadeira vazia e alguém grita: “tem aqui esta”, “leve-a”, etc, etc,etc…

Fixe!

Hoje e enquanto durar vou aproveitar e desfrutar desta vaga de optimismo, acreditar que vale a pena praticar o bem e que apesar de muitos defeitos, de muitos lados negativos, a bondade existe na natureza dos seres humanos.

À semelhança do slogan dos sumos “Essencial” da Compal: “Já comeu fruta hoje?”, deixo aqui um outro slogan para cada dia do ano:

“Já fez alguma bondade hoje?”

terça-feira, janeiro 16, 2007

Adiós Madrid

Inicialmente eram para ser 3 meses. Acabaram por ser 7 quase 8. Numa altura como esta de início de ano, numa época de introspectiva, faço aqui um pequeno balanço.

A perda de uma amizade foi compensada por uma carragada de potenciais novas amizades;



Profissionalmente foi uma experiência riquíssima. Não a nível de obtenção de novos skills técnicos relacionados com o meu ramo, mas muito a nível humano, de como lidar com pessoas e com emoções no local de trabalho;

Madrid mudou a minha definição de capital. Pela dimensão, pelo ritmo com que se trabalha, se caminha, se conduz e se diverte. A noite madrilena… podia estar aqui anos que seria difícil conhecer todos os bares e discotecas…

Mas acima de tudo, “fiz as pazes” com os espanhóis. Finalmente posso dizer que conheço Espanha, os espanhóis, as suas diferentes culturas e o seu idioma. E ainda deu-me a certeza, a confiança, que posso vencer profissionalmente fora do nosso Portugal.


Não é como a paixão por Cracóvia, não é como a admiração por Amesterdão, mas Madrid fica para sempre no meu coração, pelo fantástico e turbulento período que lá passei.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Viajar Solo - Córdoba e Sevilha

Permitam-me, caros leitores, uma comparação arrojada:

Viajar é como o sexo!

Podemos fazer sexo sozinhos, é uma necessidade, dá prazer, liberta a tensão e podemos focarmos no nosso exclusivo prazer. No entanto é mais do que certo que partilhá-lo com alguém é muito melhor, mais intenso e interessante. Viajar é igual! Viajar sozinho vai-se ao ritmo que se quer para onde se quer, mas é triste não se poder partilhar o que se vê o que se sente.

E foi com isso em mente com que parti para mais uma aventura em Espanha, qual coiote solitário, qual cowboy do século XXI.

Os últimos Cds de música, carro directo à auto-estrada e aí vai ele rumo ao horizonte desconhecido, que neste caso era Córdoba. O que os Cowboys do oeste americano não tinham ao atravessar as pradarias era filas de trânsito e engarrafamentos. Aí está… 2 horas de fila só para sair de Madrid e fazer os primeiros 70 Kms!

Com a Mega ponte de 2 feriados todos os madrilenos decidiram sair da cidade… lá se foi o romantismo do viajante solitário. Passa-se o tempo a cantar e a estudar o mapa de estradas e decidir caminhos alternativos. Ou a fazer caretas às crianças dos outros.

Cheguei a Córdoba e custou até conseguir arranjar alojamento, devido à quantidade de turistas na cidade. Tinha as expectativas elevadas em relação a Córdoba e foram superadas. Tudo o que me tinham falado não era exagerado. É a cidade com maior influência árabe da Europa e é fácil sentir que se está numa cidade árabe com um cheirinho espanhol.

Já devo ter visto alguns milhares de igrejas na minha vida, mas a Catedral de Córdoba conseguiu-me impressionar! E também impressionou o rei espanhol que ao conquistar a cidade aos mouros ficou encantado com o esplendor da obra e decidiu na destruí-la. Em vez disso mandou construir uma catedral católica, dentro da catedral muçulmana existente… Entra-se na catedral e a dimensão e a mistura de estilos impressiona. Um portal gótico, seguido por um portal estilo árabe, com um crucifixo seguido de uma lua. Espectacular!

Os jardins da catedral com a luz matinal a tocar as laranjeiras e as palmeiras, as sombras nos portais e o brilho nos dourados das inscrições árabes torna o lugar mágico e já não estamos em Espanha. Por falar em laranjeiras é difícil tirar uma foto nas cidades de Andaluzia sem apanhar uma árvore de cítricos. Gostei muito das decorações de natal, nas árvores de fruto fica ainda mais bonito do que em pinheiros.

Claro que a tudo isto junta-se o que de melhor há na Andaluzia, as tapas, os barzitos, o sotaque fantástico arrastado dos locais, a simpatia de todos, uma energia positiva que se transmite, ou serão os meus “olhos de férias” que vêem tudo “rosa”??

Viajando sozinho visita-se tudo mais rápido e ao fim de 24 horas já estava tudo visto. Referencia ainda à vista da cidade da outra margem do rio Guadalquivir (antigamente chama-se rio Betis, daí o nome do clube de futebol de Sevilla) com a famosa ponte romana. E ainda a fantástica comida boa e barata. Recomenda-se o Salmorejo (um género de gaspacho, mas mais consistente, para as noites frias de Inverno).

A decisão de ir a Sevilla foi tomada no momento e o facto de ter lá um contacto facilitou essa decisão. Em vez de continuar na aborrecida auto estrada e depois de vários conselhos de pessoas com quem fui falando em Córdoba, fui pela Carretera 431, que segue junto ao rio, até Sevilla, visitando assim as minas árabes de Medina Azahara e o castelo de Almodôvar del Rio.

As minas são como a versão árabe das ruínas romanas de Conimbriga e o castelo foi interessante apenas por a visita não estar planeada. De qualquer forma é bom mudar um pouco do turismo urbano para algo mais pitoresco fora das grandes cidades.

Depois de instalado em Sevilla, já tarde dei um passeio pelo centro e presenciei a serenata de uma tuna académica. Aquela malta tem uns trajes um bocado abichanados, mas até tocam e cantam bem.

Se há uma cidade que reúna mais dos ícones da cultura espanhola tem de ser Sevilha. As roupas sevilhanas, as touradas, o uso da palavra Olé, o começar a cantar uma boleria com um desconhecido, a energia e a disposição sempre de festa, as imagens de santos nas ruas, bares, tabernas, as cañas e tapas e a lista não termina. Sim Sevilha é Espanha!!

Depois de um pequeno almoço numa esplanada ao sol, a visita aos pontos de interesse, desta vez com companhia, e graças ao conhecimento local, conhecem-se detalhes e locais impossíveis de ver com o melhor livro guia. Gracias Rosana por me enseñares la “otra Sevilla”… Grandioso el “rally tapas” que hicimos! Te debo 12 pasteis de Belém!

Dia 8 de Dezembro, os típicos almoços familiares de feriado, a correria das compras de Natal, mas o que impressiona é o enorme convívio que existe em várias praças. Pessoas a beber cerveja na rua no largo duma igreja, bares e discotecas cheios de fumo e de gente bonita e com a sua melhor roupa. Mas tudo às 5 da tarde!!! Olé!

Como em todo o lugarejo português há um “café central”, também em cada cidade espanhola à uma “plaza de España” (até Lisboa tem uma). Mas a praça de Espanha de Sevilha faz jus ao nome, uma praça circular enorme, com painéis de decorativos de cada cidade espanhola. Querem ver e sentir as diferenças comportamentais, físicas e sotaques diferentes, de espanhóis de toda a parte de Espanha? Então vão à praça de Espanha em Sevilha.

Pequenos grupos de turistas, juntam-se ao painel da sua cidade para tirar a foto típica. A mostrar que somos todos iguais! Todos gostamos de encontrar um pouco da nossa casa, da nossa terra, quando estamos longe.

Sevilha ao longo dos séculos sempre lutando para ser uma das maiores cidades de Espanha, esta praça foi originalmente construída para fazer competições de remo, desporto com grande tradição nesta cidade.

Ficou muito para ver em Sevilla, mas a proximidade com o Algarve e com Portugal, origina a promessa de repetir a visita.

Termino com uma curiosidade. Sevilha em 1992 foi palco da exposição mundial da cultura. Ao contrário do que se passou com a área da antiga EXPO98, o local continua deserto depois da exposição. Não que não tenham havido projectos para urbanizações de luxo e centros comerciais gigantes, a prometer uma “nova Sevilha”. Existem tais projectos, mas os sevilhanos rejeitam que haja um bairro para “ricos” numa cidade em que existem poucas diferenças hierárquicas sociais entre bairros.



Nota adicional aos feriados espanhóis:

Não entendo porquê?, o 1º de Dezembro não foi feriado em Espanha e não se comemora a independência de Portugal. J

Dia 6 de Dezembro é o dia da restauração da monarquia em Espanha. Fim do regime franquista e regresso à monarquia.

Dia 8 de Dezembro, bem, uma das vantagens que vejo em viver numa sociedade católica.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

The most wanted english version

After piles and piles of letters asking for an English version, after so many complains from my best friends all around this Europe, here it is.

“The big official opening post of the east pilgrim in English”

Is just not the same to write in English… Somehow the English versions will be always smaller than the Portuguese ones. Less vocabulary, means less adjectives, less imagination, with your mother tongue is always another story. I will give my best!

Just following all the thousands of readers’ wishes, I will try to keep it update and all the new posts in Portuguese translated to English as soon as possible…

Of course that, in return, I want to receive all your feedback. Whatever they are silly or deep, is in your comments that I earn the motivation to keep writing it in English.

Christmas wishes to all of you…

terça-feira, dezembro 19, 2006

Relatividade de tudo…

Que o mundo seja feito de mudanças tudo bem.

Que sejamos cada vez mais individualistas, egoístas e vingativos, tanto melhor, bora nessa.

Agora quando se começa a duvidar da veracidade ou lealdade das amizades mais antigas, de infância, dessas a que se chama “é do gang” ou “é como família”, dói muito... uma dor diferente de perder um amor… uma dor mais fina, mais fodida.

Algumas amizades temo-las como certas… Eternas… mas não são… e apenas por um motivo… as crianças passam a adultos. No entanto… como algumas amizades são tão antigas, passam a ser como familiares. Por mais chatices que se tenha, por mais profundas que sejam as feridas, acaba-se sempre por voltar a elas, perdoar, esquecer. Por mais diferente que eu seja da minha irmã, por mais que nos zanguemos sempre hei-de amá-la, porque é a minha irmã e isso nunca há-de mudar.

O mesmo se passa com algumas amizades… ao entrar num plano de “família”… acaba-se por perdoar um dia. Por que afinal, amizades dessas são difíceis de substituir e ninguém gosta de estar só…

segunda-feira, dezembro 11, 2006

The Elizabeth Town - Kentuchy

Um argumento bizarro, uma história de amor previsivel. Elizabeth Town foi daqueles filmes típicos que vejo, quando o que queria inicialmente ver está esgotado, e que acabo por adorar!

Senão gostam de uma bela história de amor não o vejam, mas só pela viagem final que o protagonista faz no filme pelo interior dos EUA tendo por companhia as cinzas do seu pai morto. vale pena arriscar vê-lo.

A música é a banda sonora das nossas vidas e eu sempre sonhei com o ter em todos os momentos de cada dia, aquela música certa na altura certa. É essa a ideia do director, por o protagonista a fazer uma viagem a seguir as instruções de um CD que tem a música certa para cada cidade, cada monumento, cada momento da viagem. Toca a pegar no carro, autocarro, mota, cavalo, ou pés e partam à descoberta do desconhecido.

Deixo aqui uma frase tirada do filme (visitem http://www.elizabethtown.com/):

“You will find that it is all very familiar.. the strange and faraway places where you’ve never been. The wild unknown leads you to a place just around the corner. Take a picture when you get there… the road is you.”

The Road
J. Bebe – R. Hammond

Uma semana “viajando” em trabalho


É bom ter um trabalho que permite viajar. É melhor do que ficar sempre no escritório. É verdade! Fugir à rotina e tal… No entanto para além de cansativo é frustrante, por estar em sítios interessantes e não ter tempo nem para lhes sentir “um cheirinho”. Conforme as horas vão passando cresce a esperança de conseguir acabar o trabalho antes de anoitecer, olhar lá fora e ver palmeiras e o sol de Inverno das Canárias e não puder sair do armazém.

Foi assim esta semana. Por motivos profissionais tive de viajar a Barcelona e a Tenerife esta semana acompanhado por 2 colegas da Compal Portugal.

Barcelona é outra Espanha… Madrid é uma cidade incrível com um ritmo alucinante 24horas por dia! As tapas, a música, a forma positiva de enfrentar a vida, em resumo a essência espanhola. No entanto não é bonita. É cidade para trabalhar e para curtir noitadas 7 dias por semana até cair para o lado, mas há “un monton” de cidades mais bonitas com muito mais para ver e visitar.

Um exemplo disso é Barcelona. É uma cidade linda… Arte e monumentos existem em cada esquina, em cada casa, em cada parede… a cidade surpreende. Tem montanha, tem água, tem muita cor. Madrid pode ter muitos emigrantes e muitas nações a viverem juntas, mas em Madrid tem de se falar e ser espanhol e gostar do que eles gostam. Barcelona é outra história multicultural sim, mas muito mais tolerante para estrangeiros, muito mais aberta a falar outras línguas; e isso nota-se nos bares, nota-se nas ruas, nota-se nos cinemas com legendas em espanhol ou catalão em vez de dobrados.

O tema quente da independência da Catalunha, do facto da juventude só aprender catalão e das aulas nas universidades serem em catalão e do facto de haver barreiras a outros espanhóis de irem trabalhar para Barcelona senão falarem Catalão, deixo para outra altura. Demasiado polémico para este Blog. Melhor voltar às viagens…

A primeira vez em Barcelona foi no meu primeiro ano de ISCTE e foi uma viagem muito marcante nem que seja apenas pelo facto de ter conhecido 2 malucos que pertencem hoje ao meu pequeno núcleo de melhores amigos. O tempo não esteve famoso e tivemos pouco tempo para passear pela cidade.

Desta vez não foi diferente. Depois do trabalho só deu tempo para o passeio nas Ramblas e no bairro gótico e uma Paella daquelas que a semelhança com o nosso “arroz à Valenciana”, é pura coincidência. A verdadeira Paella é de Valência, ingredientes idênticos, mas sabor e cor não tem nada a ver.

Mais um dia mais uma viagem e como farta toda a cerimónia de apanhar um avião. Saímos de Barcelona onde as tabletas no aeroporto vêm nos idiomas: Catalão, castelhano e inglês. Chegamos a Tenerife e temos: Espanhol, alemão e inglês.

Alemães por toda a parte e avenidas com hotéis, praias, lojas de “recuerdos” e quadros de giz a anunciar jogos de futebol da Budesliga e Premiership, e é fácil pensar:

“Cheguei ao Algarve!”

A grande diferença são as palmeiras e o facto de ser Novembro e estarem 26ºC e uma humidade que mantém o suor pegado ao corpo. E viva as Canárias!

No 2º dia de trabalho deu para terminar mais cedo e conhecer o norte da ilha. O “El Teide” omnipresente e sendo o ponto mais elevado de España merece respeito. Como a maioria dos ventos vêm do norte as nuvens ficam “presas” no alto da montanha o que faz com que o norte da ilha seja de um verde exuberante, enquanto que o sul é seco e árido qual deserto do Sahara.

Desta vez só deu para ver o norte. O porto de Santa Cruz é uma cidade alemã e inglesa com as suas praias de areia negra e água quente, mas gostei mais da capital da ilha, Santa Cruz de Tenerife. Sem praia torna-se menos turística, logo mais monumentos, menos hotéis, mais edifícios antigos, em resumo: mais da cultura local. Os canários são muito simpáticos e o sotaque local é muito mais melódico e fácil de entender.

Fica a vontade de voltar, mas na próxima com mais tempo para ver a noite e conhecer o sul com as suas praias de areia branca e discotecas cheias.

Termino com um detalhe delicioso… em Madrid e Tenerife fala-se Espanhol, mas perguntem a um catalão e ele diz que em Espanha se fala Castelhano. È um país curioso…

segunda-feira, novembro 20, 2006

Segovia - Castilla y León

O que tem chovido nas últimas semanas… Como me disse um professor de energia, que trabalha na EDP: “A chuva são euros que caem do céu”… Faz falta e estamos na época dela, mas torna difícil viajar, visitar, fazer alguma coisa fora de casa durante os fins de semana.

Num Domingo de Outubro houve uma pausa nas chuvadas que caíram em Madrid e lá fui para Segóvia, tentar conhecer mais um pouco dos arredores da minha nova morada.

A poucos quilómetros a viagem faz-se em meia hora e realmente merece a visita. Separada de Madrid pela serra Guadarrama, Segóvia mostra já bastantes diferenças arquitectónicas e culturas pois já pertence à província Castilla León. O centro histórico é bastante pitoresco com as suas varandas em metal, os mosaicos em argila e com o enorme aqueduto a coroar a cidade com um estilo próprio.

Um passeio pelo centro, fotografar os monumentos mais importantes e subir ao castelo para tirar aquela foto panorâmica. Já está! Chega a hora de almoço e como que em perseguição desde Madrid, a chuva volta a atacar e com força. (É bem visivel na foto a tormenta a vir das montanhas).

Bom pelo menos deu para provar o famoso leitão (cochinillo), prato típico da cidade. E pronto! Mais um X no mapa de Espanha...

sexta-feira, outubro 06, 2006

Toledo la Capital Antigua

Toledo… a antiga capital de España… Bonita? Típica? Tudo isso e muito mais.

Uma cor domina as ruas, o branco amarelado dos tijolos das casas. Ao contrário de Madrid em que os tijolos laranja estão por toda a parte, o Sol reflecte-se nas paredes amareladas das casas e monumentos de Toledo dando um aspecto dourado, esplêndido a tudo.

O rei Felipe II transferiu a capital de Espanha de Toledo para Madrid durante os 60 anos de ocupação de Portugal, a época de ouro de Espanha. As grandes construções mudaram-se para a actual capital, mas Toledo com uma população pequena, tem monumentos de uma dimensão e esplendor dignas de uma grande cidade. Alcazár, Museu de Santa Cruz, Casa/Museu del Greco e Taller del Moro, mais detalhes em http://www.guiatoledo.com

A localização de Toledo não podia ser mais adequada. Assim como Santarém, Toledo foi construída à beira do rio Tejo numa zona elevada do terreno. Realmente viajar no centro de Espanha é como atravessar o Alentejo, a vista é aborrecida! Do alto da catedral em Toledo é bem visível a desertificação causada pelo calor excessivo. Vê-se o rio "Tajo" contornando a cidade como que acariciando-a e lá continua pequenino, mas decidido, serpenteando em direcção a Portugal. Nas margens do rio a natureza vence com ajuda da água e abundam as árvores, mas o resto tudo, tudo plano, completamente seco e desértico.

Conhecendo eu bem o mercado e os hábitos de consumos dos espanhóis no que toca a sumos e refrigerantes, não pude deixar de reparar num detalhe “delicioso”. É sabido que Espanha é o pais da Europa com o maior consumo de Coca Cola per capita e que nos bares e discotecas tudo se junta com Coca Cola, desde vinho tinto a Juanito Camiñante (Johny Walker). Até aqui nada de especial. No entanto ter uma máquina de venda de bebidas dentro da maior catedral de Toledo?? Isso já me ultrapassa! Lá estava, em plena catedral, para que os devotos que estejam em meditação e a rezar possam matar a sede sem ter de sair para as ruas quentes… deve ser fácil trabalhar na Coca Cola España…

Continuo a preferir Granada e Salamanca, mas Toledo sem dúvida me impressionou!

sexta-feira, setembro 29, 2006

Jardim à beira mar plantado...

Hoje não escrevo sobre viagens. O texto em baixo foi escrito por uma amiga minha que descreve exactamente o que eu senti e ainda sinto pela Polónia. Um amor sem razão, uma ilusão... Faço dos sentimentos dela, meus e assim foi o que senti quando voltei da Polónia e a dificuldade em explicar as saudades de um país que não o meu.

Ela está em Portugal desde Março do ano passado, é romena e trabalha numa empresa de tradução em Lisboa. Vai-se embora daqui a dias para o Canadá.

Fica aqui o registo de que o nosso país é fantástico e por mim transmitia este texto nos telejornais de hoje para animar os meus compatriotas, porque muitos não têm ideia da sorte que têm, do maravilhoso que é ser português.

Obrigado Anca:

# "Ó Filipe, este dia foi tão intenso, e ainda vai ser, e se não partilhar agora o que eu sinto com alguém, vou explodir.

Hoje, em Lisboa, está um dia de primavera. E fez me lembrar os dias do mês do Abril, quando também estava constipada como agora. Tinha aquele cheiro típico no nariz, aquela sensação de arder, por dentro e por fora. O sol tinha a mesma intensidade, a luz, as cores, o ventinho quente. Como a cenas de filme lembro-me deste passado recente, e sinto o que sentia há alguns meses atrás, e muito mais do que isso. E tão esquisito, parece surreal. Por vezes é como se nada tivesse sido, como se fosse Março. Mas no enquanto é tão diferente, porque já não me sinto estrangeira, sinto como se isto tudo, a cidade as parcas, a língua também fossem minhas. E é agora, neste preciso dia que eu percebo, mais do que nunca, o que eu ganhei com e em Portugal.

Perguntei-me mil vezes porque eu amo tanto Portugal, o que tem este país de especial. Se calhar não há nada a mais do que o calor e o sol do que outros. Cheguei a conclusão que deve ser como o fenómeno de se apaixonar por uma pessoa: Tem algo que nós gostamos, muitas falhas e defeitos, mas não ligamos a eles, e deixamo-nos impressionados porque queremos, porque precisamos. Podia ter sido qualquer outra pessoa. Mas é esta pessoa que lá esta, talvez simplesmente por acaso, e que nos dá aquilo que nós precisamos, nos oferece o seu calor, e torna-se nosso cúmplice. Podia ter sido qualquer país do sul, Itália, Espanha, Grécia … E como todos sabemos: o amor não tem razão nem limites.

Sim senhora, eu AMO este pais, pode não ter nada de especial, mas isto não interessa. Tenho mil e uma razoes, mas não e preciso se justificar. Amar é legítimo!

Não poder "namorar" agora custa, mas isto não é assim tão grave. O que dói mesmo, é não poder partilhar o que sinto com ninguém. Ninguém percebe este meu amor, ninguém quer saber. Os de fora pensam: “mais uma que descobriu o sol e torna-se maluca", os de dentro, os portugueses, não tem comparação, não percebem…" #

terça-feira, setembro 26, 2006

Milano - A cidade "wanna be"

“Texto escrito no avião de regresso a Madrid”

Neste último fim de semana fui a Milão. Vivendo em Madrid, os voos “low cost” são realmente low, mas porquê Milão? Podia ter ido para fazer compras, mas não, o Nzeke faz anos e decidiu comemorar em Milão. Que bem, não??

Já agora dou aqui os parabéns aos vários amigos que fizeram anos no dia 24 de Setembro, Nzeke, Iveta, David e Andreas. PARABÉNS!

Saí do trabalho na sexta e voei com a Vueling (recomendo). Chegado ao país da bota, 50 minutos de autocarro até à estação central e um grande abraço ao André e ao Nzeke; quem sabe se não foi o último… 2 dedos de conversa e seguimos directos para a discoteca KARMA, guiados pelo nosso anfitrião nativo Mateo.

Realmente Milão não é bonita… À excepção de algumas praças principais, é uma cidade cinzenta, suja, mas com mais lojas de roupa por metro quadrado que qualquer outra. (Curioso que a estação de metro onde estávamos hospedados chamava-se Zara). Sim! É uma cidade para compras, mas os locais, os milaneses, compensam a falta de graça da cidade. São realmente muito “fashion”, estilo, roupa, pinta, basófia, têm-na toda. Por todo o lado gente bonita.

E de volta à discoteca KARMA, lá estavam os óculos escuros D&G, os penteados da moda, as camisas justas. Estes italianos realmente “atacam” as meninas com uma “vivacidade” muito própria. No entanto com tanta moda, pedem um pouco a imagem tradicional de masculinidade e se noutros países se identificam bem os homossexuais, esqueçam no norte de Itália. São os metro man!

Realmente deu para descansar. Passeios pela cidade em busca dos pontos de interesse, compras, comida italiana e muito bom vinho.

Uma modalidade que desconhecia era o “Aperitivi”. Antes da hora de jantar, um grande número de restaurantes serve um buffet grátis. Quer dizer… mais ou menos grátis. As bebidas pagam-se e seja água ou vodka, custam sempre 6euros, e claro, pelo menos o consumo de uma é obrigatório. Não deixa de ser barato. A qualidade do restaurante dita a qualidade do buffet, mas são pizas, massas, saladas, queijos, frutas, doces, muito similar ao self service de um hotel.

Recomendo a Piazza do Duomo, Castelo Sforzesco, Convento di Santa Maria delle Grazie onde está o original de Leonardo da Vinci, “A última Ceia”. Desde o sucesso do livro e depois do filme “Código da Vinci”, para visitar a capela é necessário realizar reserva com algumas semanas de antecedência. Indispensável um passeio pelas ruas das lojas da “moda”, Armani, Dolce & Gabbana, Ferré, Valentino, Versace, na Via Torino e na Via Monte Napoleone. O local para ver e ser visto.

Para um inicio de noite agradável, um cocktail numa esplanada à beira de um canal no bairro “Navilgi”, vendo quem passa e bebericando um Rossini (champanhe com xarope de Morango). O cenário perfeito se ignorarem os mosquitos.

terça-feira, setembro 05, 2006

Gaivotas em terra, tempestade no mar


O calor Madrilleno aperta, o ar está seco, o colarinho da camisa permanentemente suado… Água… fresco… vai uma caña?

Felizmente existem fins de semana e felizmente existem fins de semanas em destinos frescos para trocar o “bafo seco” madrilleno por algo mais fresco, doce e libertador… a brisa húmida do Atlântico.

Estive nas Berlengas! Um destino aborrecido para quem não dispensa discotecas e praias de areia branca, mas foi perfeito para mim.

Porquê?

- Presença dos meus maiores amigos,
- Ver água o tempo todo,
- O sabor a aventura que se respira nas ilhas,
- A beleza crua da natureza,
- Ausência de rede nos telemóveis e distância dos computadores,
- E por último o clima nublado e o vento fresco que se fazia sentir.

No entanto admito que é difícil para muitas pessoas dormirem nas Berlengas. A ausência de energia e de água canalizada afasta logo a possibilidade de haver turismo em massa. Esquecendo as comodidades a que estamos habituados passa-se um fim de semana fantástico. A ausência quase total de vegetação e as inúmeras grutas, dá um aspecto austero à ilha, no entanto as águas límpidas, os mergulhos, os peixes, os cheiros do mar, o forte de S. João Baptista e a sua fantástica localização e os passeios em barcos rudimentares tornam os dias fantásticos com um sabor a aventuras de piratas.

Ah! Quase esquecia… nas colinas, nas casas, na água, no ar, em todo o lado, gaivotas. No fim de contas são elas as donas das ilhas! Foram elas que as descobriram primeiro e são elas que as habituam todo o ano, nós, humanos, teremos de nos contentar com apenas 4 meses, porque sendo parque natural e local de nidificação destes piratas dos oceanos, após Setembro fica vedado o acesso aos turistas.

Suportando a viagem de 45 minutos em mar alto sem enjoar o resto é canja! E entre copos, jogos de cartas, jogos lógicos e matemáticos, matraquilhos, ténis de mesa, mergulhos e muito boa disposição passámos um fim de semana espectacular que jamais esquecerei.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Fronteiras e Religiões

Nós, cidadãos da união europeia, já há algumas dezenas de anos, temos a facilidade em esquecer como era difícil atravessar fronteiras para outros países. Este verão voltámos a recordar isso. Búlgaros e romenos dão-se bastante mal, e turcos… bem nem romenos nem búlgaros, nem ninguém nos arredores, gostam deles. Isso tornou bastante aventureiro tentar atravessar as fronteiras. Quando planeámos a viagem, era claro que de um país para outro simplesmente apanhávamos um comboio ou um autocarro e pronto, já está.

Nem pensar…

Da cidade romena Constanza um autocarro até outra cidade perto da fronteira da Bulgária. Dessa cidade um mini bus até à fronteira. Na fronteira atravessamos a pé e passamos todos os controles e mais alguns e do lado búlgaro negociamos com um taxista o preço para uma cidade a 20km da fronteira onde poderíamos apanhar um outro autocarro para o nosso destino final. Tudo feito num record de um dia. Lá se foi o plano inicial de o fazer em 4 horas.

No entanto são esses contratempos que juntam a palavra “inesquecível” à palavra “viagem”.

A tendência para quem não conhece outros países é dizer que são todos iguais. Antes de visitar a Lituânia, Letónia e Estónia, colocava estes países todos no mesmo saco. Realmente não se pode fazer comparações, incrível como estes 3 países pequenos podem ser tão diferentes em costumes, tradições, religiões, moeda, moda, etc, etc, etc.

Agora também não tenhamos ilusões, para um senhor que vende pipocas na Letónia, Espanha e Portugal são iguaizinhos.

Este verão fomos para a Roménia, Bulgária e Turquia com a certeza de encontrar diferenças, no entanto claro que fomos surpreendidos. Devido às diversas invasões turcas durante séculos, tanto a Roménia como a Bulgária, têm muitas influências, na música por exemplo é mesmo óbvia.

Não quero dar muito a minha opinião acerca das religiões dos outros, no entanto é este factor que mais distancia os países e que mais contrastes cria. Temos uma Roménia pobre com uma maioria absoluta de ortodoxos, ciganos e turcos.

Depois uma Bulgária, que sempre se apoiou na Rússia depois da II grande guerra, para manter a sua independência e pôr os turcos à distância. Então temos um país onde o governo apoia o ateísmo, onde a ausência de religião é apoiada na força do “estado”.

Finalmente temos a Turquia, onde tivemos o nosso primeiro contacto, sempre chocante, com o islamismo, bom e isso sim provoca diferenças. A forma como as mulheres são tratadas e o rigor religioso são impressionantes, mas o que gostei mais foi o facto de 5 vezes ao dia pelos altifalantes de toda a cidade se transmitir rezas em árabe. Das 4 noites que estivemos em Istambul, em duas delas acordei com essa transmissão.

Sim foram umas férias ricas de contrastes! Num dia estamos numa discoteca búlgara ao pé da praia onde se dança em roupa interior, ou sem ela, dentro de uma piscina; noutro dia estamos a deitarmo-nos às 23h depois de ouvir uma reza em árabe e beber um chá turco.

E para quê entrar em mais pormenores… Deixo aqui 2 fotos que exemplificam bem as diferenças causadas pela religião. Foram ambas as fotos tiradas a anúncios em paragens de autocarro:

Um anúncio a um protector solar na Turquia, onde a rapariga nem biquini tem vestido e reparem no detalhe do cabelo a tapar ao máximo o corpo.


Um anúncio a um votka (tipo eristoff ice) na Bulgária. Sem comentários…