Brno - fotos comentadas
Na última foto um senhor cria artesanalmente miniaturas em açucar para enfeitar o topo de bolos.
Leste definição; ponto cardeal, nascente, todo e qualquer ponto à direita do Cabo da Roca
N.A. Texto escrito em trânsito a 22 de Maio:
Viagem de 5 horas em autocarro cheio, atravessa-se praticamente o país todo. Estacionamos em Brno. Longe de tudo, o quarto é bom. “Por baixo do gato” é o nome da pensão. Claro está que têm um gato no quintal, mas o bar anexo à noite mete um certo receio, respeito.
Meia hora para chegar ao centro e sem parar seguimos para Olomouc. Já me encontro em plena Morávia, o primeiro objectivo destas férias.
Como cidade estudantil, tem uma certa atmosfera, uma energia própria, dormitórios, cafés e muitos bares. Um passeio pelo centro, café num local da moda e de regresso a Brno.
Fica o registo do relógio na praça principal. Que semelhante ao famoso relógio astrológico de Praga à primeira vista, olhado com mais atenção nem por isso. Remodelado totalmente durante os anos de comunismo, o relógio tem trabalhadores e camponeses que às horas certas saem para bater martelos e usarem foices:
Mais umas fotos a provar que a vida de estudante é difícil em qualquer parte do globo. Em pleno dia e numa artéria da cidade este jovem debatia-se com o “cansaço” causado seguramente pelas horas exageradas de estudo. Felizmente uma freira que passava lá o ajudou a despertar:
Brno, 2ª cidade do país, com 300.000 habitantes tem tanto de cidade cosmopolita, com problemas de trânsito em hora de ponta, como de cidade calma do interior. Uma mistura interessante… arrisco comparar uma mistura de Évora com Porto.
Com pouco turismo, quem trabalha nos serviços tem mais paciência para os turistas. Serviço com mais simpatia do que Praga, mas também menos pessoas a falarem inglês. A empregada do restaurante onde me encontro insistiu em falar comigo em checo durante todo o atendimento, eu respondo em polaco e no final lá corre tudo bem.
Realmente aqui vive-se atmosfera checa, a autêntica. A azáfama logística da abertura do comércio, o café do bairro onde os idosos vão beber chá e comer bolo. É o café/bar/restaurante jazz onde estudantes lêem apontamentos, ouvem as músicas da moda, a taberna a servir almoços rápidos para quem tem apenas 1 hora de almoço.
Hoje sim conheci um pouco mais da república checa. Nada de menus em inglês ou informações turísticas.
Ok. Confesso ser um fã dos “pontos mais altos”. Não resisto a uma dose de fotografias panorâmicas à cidade, seja, igreja, torre ou montanha. No caso de hoje foi a torre negra com uns respeitáveis 226 degraus, muitos sinos e com aspecto austero. Aqui está o resultado:
"N.A. O texto seguinte foi escrito em trânsito entre 18 e 19 de Maio"
Meio molhado, mãos enregeladas do frio, finalmente chego ao hostel recomendado. Estou na jóia da Bohemia, região sudoeste da Republica Checa.
Cesky Krumlov
Depois de uma viagem de autocarro atribulada desde Praga, as expectativas são elevadas. Após registo e pequeno descanso na pousada para secar e ler um pouco, parto sem grande motivação para a chuva e poças de água lá fora.
Através de uma ponte fantástica passa-se por debaixo do castelo para os jardins da cidade e escolas de equitação (most ná Plásti)
As casas com telhados vermelhos, as paredes pintadas com motivos medievais: Checos?!? Muito poucos. Americanos sim muitos e japoneses ainda mais…
Volto ao hostel para jantar. Na sala um americano toca Didjeridoo (não sei como se escreve), outros falam da desvalorização do dólar face ao euro, não podiam estar mais desenquadrados do cenário medieval depressivo do mundo lá fora. Lamento não ter alguém para partilhar o que vi.
Viajar com amigos tem claras vantagens sobre viajar sozinho, mas a liberdade total gozada durante uma experiência “a solo” pode ser muito positiva.
Claro que ninguém gosta de estar sozinho, faz parte da condição humana, somos seres sociais por natureza. Viajando sozinho está-se mais disponível para falar com estranhos e, se nos dispusermos a isso, rapidamente se sai da condição de lobo solitário.
No hostel onde fiquei seria difícil não fazer amigos. Acolhedor, pequeno, familiar, um convite para cozinhar com uns australianos e já está. Passados minutos estou a fazer Pretzel’s, a amassar e a dar forma aos bolos. Uma verdadeira linha de produção panificadora internacional com americanos, australianos, canadianos e um rapaz mais calado com um sotaque engraçado de Portugal. Onde fica isso?!?
Após dar forma uma pré cozedura em água a ferver e vão ao forno. Salgados, com sementes de papoila, com doce, ou até com mostarda picante, assim foi o jantar; pretzel’s e jarras de cerveja que iam buscando ao bar ao lado da pousada.
Passou-se o serão a ver filmes checos legendados em inglês, toca-se guitarra, comenta-se o novo álbum dos rádiohead, abordam-se temas universais como educação sexual, depilação púbica, viagens e aventuras. Um australiano, 50 anos, olhos azuis claros, uma barba enorme, viaja pelo mundo sem planear nada, diz-me já com muita cerveja bebida:
“Incrível! Tanta visita e borga em Albufeira e Lagos, e o primeiro português que conheço é numa vila na Republica checa!”
E continua a chover lá fora…
Esta capital está muito diferente da primeira visita em 2001. Está transformada numa grande “fast food joint” para o turista gostar, consumir e estragar.
O que é realmente checo?!? Há que sair do centro para descobrir. Entre encontros com amigos e fugindo das habituais armadilhas para turistas, é esta a Praga verdadeira; a alternativa:
Uma viagem a Marrocos cancelada, mais um bilhete barato para Viena comprado a um amigo que não podia ir, resultou numa semana de férias memorável. 2 Fins de semana na companhia de amigos e uma semana no meio para descobrir mais sobre a república checa. Nos próximos dias escreverei textos que fui escrevendo entre 18 e 25 de Maio.
Itinerário completo: Fim de semana em Praga, Partida para sul para Cesky Krumlov, vila medieval que todos os amigos me recomendaram, seguido de Ceské Budejovice capital da cerveja. 4ª feira chegada a Brno, segunda cidade do país, de onde visitei Olomouc, cidade de estudantes. Fica a republica checa melhor conhecida. Ultimo fim de semana em Bratislava onde fui surpreendido pelo castelo de Devin a meia hora de caminho sobre uns dias maravilhosos de sol.
Não se compra bilhete. Ninguém os contratou. Mas eles estão lá! Sempre a tornarem o nosso dia mais animado; ou não...
Este artista toca em Zurich e usa um disco metálico que ligado à corrente, e vibrado pelas mãos gera estes sons incriveis:
A febre está mais do que alastrada por toda a cidade de Lisboa. Há até chineses que se convertem em japoneses para venderem estas miniaturas que tanto sucesso e procura estão a ter. Gosto e tenho ido tanta vez ultimamente que deixo aqui uma foto tirada a esta obra de arte culinária, que foi limpa por 5 bocas esfomeadas em Cascais em apenas 10 minutos:
Suiça…
Novamente na Suiça.
Poderia ser Nova York ou Varsóvia, mas ter a oportunidade de viajar pelo trabalho é já por si só fantástico, por isso nada de lamentações.
Suiça não deixa de ser um país aborrecido. Clice AQUI para ler o post da última visita em Dezembro passado.
A reunião dos planeadores e logísticos foi na sede da empresa em Vevey. Mais uma cidade limpa, organizada, pontual e sem crime da Suiça. Aborrecida portanto, mas com uma vista também fácil de encontrar por aqui. Simplesmente espectacular! Lago e as montanhas no horizonte com os cumes nevados como se imaginado num sonho.
Escala em Lausagne e parto novamente para Zurich.
Chove a potes e está frio. Já é Abril??
No comboio de Geneva a Zurich é curioso que o mesmo funcionário que verifica os bilhetes, fala comigo em Francês durante uma parte da viagem e no momento em que entramos na parte Alemã muda para alemão. Aposto que no sul do país já me diziam: “Su billeto por favori”!
Ao menos um Suíço que sai do liceu já fala 3 ou 4 línguas.
A estadia em Zurich não podia ter sido melhor. Fiquei em casa de amigos de amigo nos arredores calmos e bonitos e o sol brilhou todo o fim de semana.
Em relação às visitas anteriores o facto de haver sol e ter um bom livro guia, fez toda a diferença.
Visitando a cidade seguindo o roteiro sugerido por um livro popular descobri locais que antes me tinham passado despercebidos. Algumas fotos:
Gostei especialmente do contraste de ter uma noite fria e chuvosa na rua e estar a assistir ao torneio mundial de Volleyball de praia feminino dentro da estação central de Zurich:
Sábado depois do pequeno almoço tardio e curadas as ressacas uma visita a Luzern. Longe dos meus planos acabei por adorar a cidade e a viagem em companhia tão divertida.
Uma primeira surpresa foi logo ao apanhar o comboio perto de casa. Festa local para comemorar, o que parecia ser, a conclusão de um projecto de construção recente. Banda filarmónica local, pipocas e algodão doce, tudo muito familiar com as festas portuguesas, à excepção de que em vez das farturas e churros, havia salsichas com pão e mostarda. GRÁTIS!! A palavra mágica! Sucesso garantido, mas claro que tudo muito civilizado, sem muito barulho, fila organizada, perfeito. “Posso comer duas?”
Gargalhadas! Chegada a Luzern! Uma chuvada capaz de desmoralizar o turista mais experiente. Óptimo! Foi apenas passageiro… aí vem o sol novamente.
Alguém pergunta: “Paramos para comer alguma coisa?”
Alguém responde: “Não! Melhor visitarmos a cidade já e aproveitar enquanto o sol não foge.”
Luzern é uma cidade no este da Suiça rodeada por montanhas nevadas. Com 27.000 habitantes é uma cidade encantadora. Cidade com uma herança arquitectónica especial. A ponte do século XIII coberta, as casas com os portados das janelas coloridos, as pinturas com motivos medievais nas paredes. Linda a forma como o rio serpenteia pela cidade e inteligente a forma como aproveitam a força da água para produzir energia para a cidade. E a água limpa, fria e duma clareza impressionante para a dimensão da cidade que atravessa.
Trepamos os degraus para chegar às torres das antigas muralhas da cidade e tiramos as fotografias da praxe com uma vista de tirar o fôlego:
Para coroar a visita uma passagem a um monumento único de uma simplicidade e beleza incrível.
Um leão foi esculpido numa parede lisa de rocha para simbolizar o sacrifício de milhares de soldados suíços que morreram a defender o rei Luís XXXX verificar história.
O leão é impressionante e o artista conseguiu colocar uma enorme expressão de dor e agonia na escultura do leão trespassado e ferido no dorso por uma lança.
Descobri que apesar da história recente colocar a Suiça como um país neutro e pacifico, a sua aparição no mapa Europa e respectivo fortalecimento dessa posição, foi tudo menos fácil e sem derramamento de sangue.
A Confederação Helvética (CH das matriculas dos carros suíços) foi atacando e conquistando territórios a tribos vizinhas durante os séculos XII e XIII para se expandir até ao tamanho que tem hoje.
Alguém pergunta: “Jantamos aqui? Quanto é a pizza? 22 francos suíços a pizza??”
Alguém contesta: “Vamos comer antes a casa”
E adeus Luzern.
A Páscoa...
A procissão dos penitentes no Paul é uma das mais impressionantes da região. À meia noite, ouvem-se as badaladas do sino da Igreja e as luzes apagam-se em toda a cidade.
Os penitentes surgem então descalços, envoltos em panos brancos e anunciam a sua passagem através da "relha"(corrente com uma bola de ferro na ponta presa ao tornozelo) que um deles arrasta nas pedras da calçada. Outros carregam escadas, outros cruzes.
Esta manifestação pagã poderá representar a flagelação ou uma prece por causa da Peste Negra.

Que grande surpresa este fim de semana!
Em casa para mais um almoço com a família e tocam à campainha.
Descobri que tenho padrinhos. Quem são? O que fazem? Como nos encontraram passados 20 anos? O porquê da rotura entre eles e os meus pais?
Sobretudo, porquê agora? Porque não antes? E a coincidência eu estar em casa dos meus pais nesse mesmo dia.
Passou-se a tarde a responder a essas e outras perguntas. Ficou o contacto.