quinta-feira, agosto 02, 2007

Sobreviver a mais umas férias


Voltei voltei de lá!
Ainda ontem estava em Corfu
E agora já estou cá!

Nada como começar com uma música pimba, o primeiro post sobre as minhas férias que terminaram esta semana.

Foram óptimas!

Como os planos são feitos para sofrerem alterações, o destas férias não foi excepção. O mapa do post anterior sofreu algumas alterações como podem ver a vermelho:

Por motivos logísticos que falarei num futuro próximo tivemos de percorrer parte do sul de Italia de comboio para apanhar o ferry boat ideal para nos levar a Split na Croácia.

Um bom título para estas férias seria: "Os 3 saltitões de ilhas no mar Adriático e Iónico!"

Eu, André e Pedro formámos uma equipa demolidora onde a diversão era a palavra de ordem! A nova aquisição desta temporada trouxe uma nova vaga de energia às noites longas de verão.

Tudo tem um preço... e essa energia foi paga com uma lesão grave num ombro depois de uma tesoura acrobática feita numa festa a sul da ilha de Corfu já com níveis de Etanol elevados! Incrivel acrobacia!
Em vez da habitual descrição cronológica de acontecimentos, nos próximos dias vão-se descrevendo episódios marcantes destas férias de forma solta neste espaço.

Para abrir as hostilidades, deixo aqui algumas frases chocantes ou marcantes ditas por pessoas com quem de alguma forma interagimos nestas férias:

"See you in another life when i'll be a man" - frase proferida por uma escocesa dona de um bar de praia que em conversa se queixou da descriminação das mulheres num país machista como a Grécia ainda é.

"This bed is good sex! I tryed this bed!" - exclamação surpreendente da nossa senhoria em Dubrovnik na Croácia a "vender-nos" o seu apartamento e as suas qualidades.

"4 minutes by bus, 10 minutes walking" - O maior mito de todos! Ao chegármos a uma cidade, tentam alugar aos turistas quartos anexos nas suas casas, mas mentem-nos imenso acerca da boa localização da dita casa em relação ao centro da cidade... Os minutos comprovados por nós eram 15 autocarro e 25 a pé.

"Come back tomorrow for coins" - O tipico truque em discotecas em resorts turisticos. Comprei uma água por 12 kunas croatas (1,5€) pago com 20 e o empregado diz-me que moedas não existem no bar. Só trabalham com notas... Enfim... mercados já muito batidos pelo turista inglês e americano...

"Portugal?!? Fado! Azulejos! Fernando Pessoa! Luis de Camões!" - Ao dizermos que somos de Portugal o normal é haver logo uma referência ao futebol. Tipo: You are portuguese? Figo! Figo! Pois foi com surpresa que uma croata, agora nossa amiga, Dina, nos brindou com esta fila respeitosa de icones portugueses! Rapariga culta claro está!

quarta-feira, julho 11, 2007

Καλὸ ταξείδι! - Boa viagem!

Este ano as férias vão ser férias! Não que o ano passado não o foram. Não que tenha sido a última viagem ao estilo “backpacker”. Apenas será mais praia, festa e fazer pouco, mas muito pouco.

Mesmo com o espírito de visitar menos locais, viajar “low cost” e terminar a viagem num reencontro de ex-estudantes Erasmus em Carcóvia, não evita que a viagem cubra muitos Kms e desenhe um verdadeiro X no mapa:

Lisboa – Corfu na Grécia – via Londres. Uns dias de praia e pela primeira vez este ano com temperaturas realmente de verão.

Corfu – Dubrovnik na Croácia – via Bari, Itália. Na última viagem há 3 anos à Croácia ficou a vontade de voltar. Assim vai ser, desta vez para ver esta cidade no sul que ficou por visitar.

Dubrovnik – Cracóvia – para o definitivo encontro com ex colegas dos meus tempos de Erasmus. Ainda mais na cidade onde nos conhecemos. Desde o México, Canadá e Suécia o grupo promete voltar a arrasar.

Regresso a Lisboa – via Varsóvia para visitar uns amigos.

Adeus rotina, horários e responsabilidades! Vou descansar o espírito, mas não o corpo!

Ou não!...

Este espaço será de novo actualizado em Agosto.

Algumas fotos de locais de visita e estadia já certa e confirmada…


De cima para baixo e da esquerda para a direita:

Praia de Agios Gordis, Cidade de Corfu, praia de paleokastritsa e resort turistico de pelekas.


Para quem quiser saber mais sobre a Grécia e em particular, Corfu:

http://www.greeka.com/ionian/corfu/corfu-pictures.htm

Para os linguisticos aqui vai um link para aprender umas frases uteis em grego:

http://www.omniglot.com/language/phrases/greek.php

Momento musical: Richard Muller - Nahy II

Gosto desta voz!

Uma óptima forma de aprender uma língua é através da música. Um amigo disse-me uma vez que só realmente se pode interpretar o significado de uma música, se dominarmos esse idioma ou por vezes só sendo mesmo nativo, seja devido ao conteúdo cultural, expressões coloquiais, regionalismos, piadas politicas ou históricas.

Não concordo com ele... mas como discutir música é como discutir desporto, religião ou política, ou seja, não se conclui nada, e ninguém sai vitorioso do debate, escrevo apenas sobre o que oiço e o que me explicaram sobre a letra.

É um género de Pedro Abrunhosa Checoslovaco (não sei se é checo ou eslovaco) que "fala" ou canta em eslovaco sobre temas pouco profundos.

Adoro a voz nesta canção, assim como adoro a sonoridade da língua eslovaca. É língua eslava, menos falada, mas mais suave quando comparada com polaco ou checo.

O significado da música...

Parece que o artista esteve envolvido num escândalo público sobre o uso de narcóticos. Como para limpar o seu nome voltou aos palcos e com esta canção:

Nahy = Nu

Expõe-se! Despe-se de qualquer vergonha e enfrenta os seus fãs pedindo desculpa pelo sucedido.

sábado, julho 07, 2007

Parece que foi ontem…

O que começou como algo pequeno, uns míseros emails com informações escritas nas “catacumbas informáticas” da minha faculdade, acabou por se tornar num projecto que mudou a minha vida, a minha forma de estar, a forma como vejo o mundo.

No fim de semana passado deambulava pelo bairro alto quando sou interpelado por um alemão, que estudou em Lisboa há algum tempo e que participou nas actividades.

Lembrava-se das excursões e festas que tínhamos organizado. Relembrámos pormenores! Recordações recentes. Falámos do presente e do futuro.

Valeu a pena o tempo investido… e sinto a falta desse contacto “internacional” numa base diária.



Amizades efémeras? Estão um tempo por cá e nunca mais os vejo?

Os 5% com quem mantenho contacto ainda hoje, têm um valor incalculável. Sim vale a pena!

Como alguém escreveu:

"The road to meet a friend is never too far"

Excursões e festas era o principal, mas desde ir buscar ao aeroporto a ajudar a fazer o cartão lisboa viva, os estudantes entrangeiros recebiam todo o tipo de apoio. Por exemplo uma lista actualizada dos dias de ladies night nas discotecas.

O site continua a funcionar, mas o espírito do EIN, apesar de vivo em muitos países e em outras associações, não encontrou sucessores à altura na minha ex faculdade:

Video promocional

A equipa

A história

Aquele olhar e aquele abraço para Zaki, Kroliku e Ricardo!

Visita a Munique está para breve…


Fotos de excursões:







O que povo gosta é disto! Fotos de festas:







As censuradas guardo-as apenas para mim...

Novo Passaporte Digital

Depois de 1 gloriosa manhã de Sábado na loja do cidadão nos Restauradores, e mais tarde um stress doido para levantar o dito documento à hora de almoço num dia de semana, já tenho o meu novo passaporte digital.

Pois é! Todo ele é digital! A foto tirada no momento, as impressões digitais, a assinatura, tudo feito numa máquina a lembrar séries de investigação policial tão em moda na televisão. Em vez da caravela apoiada por sereias do último passaporte, temos serigrafias dos 2 grandes poetas, Luís de Camões e Fernando Pessoa. Dão um certo estilo às diversas folhas que constituem o documento.

Tendo em conta, que com o último passaporte fiquei várias vezes em sarilhos, por fronteiras como Turquia, Bulgária e Roménia, nunca terem visto um passaporte digital com uma pinta incrível de fotocópia a cores mal feita, espero que este com as novas tecnologias isso já não aconteça…

Acima de tudo que tenha os mesmos ou mais carimbos que tinha no antigo… e que me ajude a passar à frente de muitas almas que ainda têm passaportes antigos, nos 4 check in’s da próxima viagem.

Frase a recordar ouvida várias vezes nos altifalantes da Loja do Cidadão:

“Por favor Senhores utentes! Mantenham-se em silêncio! Ajudem-nos a melhorar a qualidade do serviço prestado!”

Não funcionou…

segunda-feira, julho 02, 2007

Cortar o cabelo

Cortar o cabelo pode ser bem divertido... Por conveniência horária, fui a um estabelecimento aconselhado por um colega de trabalho, longe do género dos que costume ir.

Estava muito calor! O barulho dos secadores e o ar quente não convidava a ficar. Mas tinha de ser... já andava a adiar à bastante tempo. Aquele desfolhar rápido e aborrecido por um exemplar da imprensa "cor de rosa". E ainda deu tempo para um jogo de snake no telemóvel.

Enfim... vamos lá cortar!

Transcrevo uma das conversas profundas que ouvi durante o corte entre a cabeleireira e uma senhora que pela idade e à vontade com que entrou deveria ser sua mãe. (C - cabeleireira M - a sua mãe)

- O que vais fazer para jantar? (M)
- Tinha combinado com a menina (sua filha) ir comer fora. (C)
- Tenho uma sopa de legumes já feita. Se quiseres levas e fazes mais qualquer coisa. (M)

Longo silêncio... apenas o barulho das tesouras.

- Prefiro jantar aqui em sua casa. (C)
- Sim. Não tenho é nada de jeito para o conduto! O que é que hei-de fazer com a sopa?(M)

Outro longo silêncio...

- Faço-vos uns bifes de peru. (M)

A cabeleireira acena a cabeça afirmativamente. Já perto da saida do estabelecimento a velhota diz:

- Faço-os assim com um molho de cebolada. (M)
- Espera! Não tens nada para fritar? Rissóis? Douradinhos? (C)
- Não, não tenho. (M)
- Tens bacalhau? (C)
- Sim, tenho. (M)
- Frita uma posta e já está. Ah.. O problema é a menina que não gosta...(C)

Pausa... as tesouras param.

- Faço a posta de bacalhau para ti e o bife de peru para a menina. (M)
- Mas ela prefere peixe se tiveres. Só não gosta é de bacalhau. (C)
- Só se fritar solha?! (M)
- Olha, óptimo! Faça isso. (C)
- Então, mas sempre queres o bacalhau? Ou faço solha prás duas? (M)
- Frita só a solha. (C)
- Até já. (M)
- Quer que lhe apare as patilhas? (C)...
- Sim. (eu) Mas só um pouco...

O cabelo ficou bem cortado, não cheguei a tempo à 5aSEC para levantar as camisas, mas comi bacalhau à brás quando cheguei a casa...

E é verdade... já tenho internet em casa... e em qualquer lado.

sexta-feira, junho 29, 2007

Les Andilles - Norte de França

O norte de França está salpicado por inúmeras pequenas vilas amorosas, mais propriamente, a Normandia, tem casas de uma arquitectura própria, apaixonante e simplesmente encantadora.

Conhecendo apenas a capital do país, é impossível dizer: “Estive em França!”

Só depois de passar umas semanas na Normandia e na Bretanha pude ver a outra França. A França das pequenas aldeias, os mercados de queijo, a simpatia dos normandos e bretões, as praias frias mas lindíssimas e a sua história.

Marcou-me especialmente uma pequena povoação chamada “Les Andilles”. Situada num pequeno vale que desemboca num afluente do rio Sena, a cúpula da catedral no centro da vila é um ponto de referência.

No alto dum monte vigiando a cidade, as ruínas de um castelo normando, recordando as inúmeras batalhas que aqui se travaram muitos séculos atrás quando os ingleses dominavam o norte da França.

Mas os ingleses ainda não partiram. Por toda a Normandia são inúmeras as casas de férias e por toda a parte muitos reformados que trocaram a névoa de Londres pela humidade de Les Andilles.

A uma hora de comboio de Paris, recordo um passeio ao longo do rio e dos jardins verdes das casas. Uma conversa em Portunhol com uma amizade de longa data, mas ainda muito forte.

O casal da loja de recordações, o vizinho curioso e simpático grita: “Bonjour!”. Cheira bem da padaria ao lado da catedral e tudo parece encaixar como um puzzle diante dos meus sedentos sentidos de turista fora dos destinos óbvios dos guias.





Custa a crer que foi em povoações encantadoras como esta que se lutou casa a casa, rua a rua para expelir os ocupantes alemães durante a invasão aliada na segunda guerra mundial.

E não muito longe, em praias como a da foto em baixo, onde hoje brincam crianças morreram cerca de 9.000 jovens americanos em apenas poucas horas à algumas dezenas de anos atrás.
Com o nome de código Omaha Beach, tem agora o nome da povoação vizinha, “Laurent sur Mer”.

Foram dias de descoberta, aventura, alguma chuva, sobretudo, muitas recordações e muita vontade de voltar a conhecer um pouco mais deste grande país.

Esta foto foi tirada em “Point du Hoc” onde outra dura batalha foi travada pelos rangers americanos e uma divisão de artilharia alemã. Sou eu num "buraquinho" feito pelos bombardeamentos aéreos aliados.

É um cabo com cerca de 200 metros onde existia um complexo de túneis e de armas enormes alemãs para destruir os barcos e defender a costa. Coube aos rangers escalaram à mão e sem cordas a parede rochosa do cabo sob tiros e arremesso de pedras e granadas e conquistar a fortaleza incrustada nas rochas.

O local tem a área de 4 campos de futebol e é impressionante!
A pedido de leitores assiduos aqui deixo o link para um post antigo sobre parte da Bretanha:
click aqui.

quinta-feira, junho 28, 2007

Monstro Comercial

Dragões! Essa criatura do imaginário humano que alimentou lendas, contos, livros e filmes.

Em Cracóvia existe uma estátua grotesca de um dragão que habitou a caverna por debaixo do castelo Wawel. Com mais de 3 metros e com a grande boca aberta em direcção ao céu é atracção turística obrigatória. Para além da boca enorme e queimada pelos jactos de fogo, tem inúmeros braços com cabeças mais pequenas a lembrar algumas personagens da Saga Holiwoodesca Alien.

Diz a lenda que a besta saia do seu ninho para violar e comer jovens e belas virgens. E foi um valente príncipe que deu o nome à cidade, Craco, que com um plano engenhoso armou uma armadilha ao monstro.

Um carneiro carregado de explosivos foi colocado à entrada da caverna, local onde morreu e lhe foi construída uma estátua.

É a loucura dos mais pequenos!

Agora a parte curiosa da coisa!

Por apenas alguns grozys e apenas à distância de um SMS, é possível fazer o dragão cuspir fogo. É verdade! Envia-se uma mensagem para um número pequeno e a estátua expele um jacto de fogo para a delicia dos petizes e graúdos.

Já imagino o leão do marquês de pombal a rugir via SMS ou a estátua do Adamastor a soprar uma lufada de vento forte após introduzir algumas moedas. Fica aqui como sugestão para os candidatos à Câmara Municipal como medida para aumentar as estatísticas turísticas na cidade do sol.

terça-feira, junho 26, 2007

Ir para fora cá dentro

Num dos longos fins de semana de Junho e mais um par de dias de férias regressei a um pedaço de terra que adoro. Há que lhe chame costa azul ou costa vicentina, outros ainda costa alentejana e ainda outros parte de um deserto a sul do Tejo.

Adoro toda a costa portuguesa desde Tróia até à ponta de Sagres. Ainda longe das massas turistas inglesas do Algarve, mas com preços já muito parecidos continua a apaixonar-me e, como um encantamento, a voltar a visitar outra e mais outra vez.

Desde tenra idade que Milfontes, Porto Covo e Zambujeira do Mar foram destinos de férias familiares em bastantes verões.

As minhas primeiras férias sem os progenitores, o meu primeiro amor adolescente e “para sempre”, foi em Vila Nova de Milfontes.

Todos temos um verão inesquecível! Umas férias que por algum motivo especial ou nem por isso nos marcaram e sempre recordamos como mágico. Recordo esse verão em que com a carta de condução acabada de fazer e o Seat Marbella emprestado à mãe parti mais 2 amigos de campismo em campismo descendo ao longo da costa.

Breve estadia em Lagoa de Santo André, Melides e Porto Covo, e Milfontes, novamente, estava tão animada que acabámos por ficar acampados o resto das férias.

3 Amigos que arranjam 3 paixões de verão numa vila com praia lindíssima e com bastante animação nocturna. Estes foram os ingredientes do sucesso! Mas Milfontes é muito mais que isso… São os gelados saboreados lentamente à noite num passeio pelo forte.

São o acordar cheio de calor dentro das tendas com o som das rolas e das crianças dos vizinhos. Os dias de praia preguiçosos, o bar Quebramar, são os pôr do sol intermináveis e os passeios pelas dunas e as longas noites de festa.

São as primeiras experiências culinárias com algumas latas de conserva, são as misturas duvidosas com álcool, são os primeiros rasgos de independência.

É o piano bar, o bar azul, a manjedoura, a discoteca Sudoeste e os tardios croissants na Mabi.

São as lojas de artesanato, os simpáticos locais e o mercado.

Milfontes foi e ainda é isto tudo e muito, mas muito mais…

Algumas fotos da ultima visita e um abraço a quem participou nessa verão: Marco, João, Mikó, Alexandra, Milena e Ana.


Agora que me preparo para uma viagem à Grécia e à Croácia, volto-me a perguntar porque vou para fora fazer praia, com as praias lindíssimas que temos em Portugal.

Resposta fácil: O peregrino em mim impele-me a conhecer mais e mais praias, para voltar e recordar e dar ainda mais valor às maravilhas naturais da nossa terra.

Arrisco-me a dizer que locais como Portinho da Arrábida, praia do Malhão e Burgau fazem de Portugal o país com as praias e a costa mais bonita da Europa.

sexta-feira, junho 08, 2007

A viagem mais repetida nos últimos anos

Todos nós temos momentos de reflexão. Momentos do dia em que tomamos decisões individuais, que pensamos no que vamos dizer, ou que decidimos que passo dar a seguir nas encruzilhadas de opções da vida.

Por exemplo, é comum, acontecer nos últimos momentos antes de adormecer. No escuro do quarto, deitados na cama, tomam-se grandes decisões para o dia seguinte, ou reflecte-se o que aconteceu e imagina-se o que acontecerá.

Há quem tenha esses momentos, no duche de manhã, ou também comum, é ao fazer-se a barba. Já o grupo britânico Oásis escreveu na canção What’s the Story Morning Glory:

“All your dreams are made
When you change in mirror
Or face the razorblade.
Today is the day…”


Seja a fazer a barba ou qualquer outra tarefa que pela repetição contínua durante anos, se torna “automática”, nesses momentos pensamos, reflectimos, decidimos em plena confrontação com o nosso EU.

Isto tudo para vos falar da viagem que fazemos todos os dias para o nosso local de trabalho. Sim. Todos nós viajamos diariamente, só não o vemos como tal, porque associamos “viagem” a férias.

Uns demoram minutos, outros demoram horas, de qualquer maneira no total da nossa vida útil, não deixa de ser importante o tempo gasto em deslocações para o trabalho.

Agora se amanhã eu apanhar o autocarro que alguém apanha para o trabalho, e essa pessoa fizer os 98km que faço há 3 anos do Barreiro a Almeirim, ambos vamos quebrar a nossa rotina e sentir que viajámos.

Se optar pela auto-estrada, é mais rápido, mas mais caro e mais aborrecido. Vale a companhia da rádio e da música, fiéis amigos nesses momentos.

No entanto a estrada nacional 118 está carregada de pequenos detalhes, de muitos locais interessantes que num dia de sol decidi conhecer. Centenas de vezes percorri esse percurso, mas sempre com pressa para chegar ao trabalho. Recomendo a quem “viaja” para o trabalho a, num dia com tempo, explorar a natureza ou povoações desses caminhos diários.

Baseado em perguntas feitas por amigos, dissipo agora algumas dúvidas:

Não trabalho na Sumol.

Não trabalho em Santarém. Não, não é mais perto ir por Lisboa e pela A1, porque a auto-estrada termina em Santarém e Almeirim fica na margem sul do Tejo, logo cruzava o rio 2 vezes.

Não, não demora 30 minutos, e não é num instante. Mesmo ao contrário do trânsito demora pelo menos 1 hora respeitando os limites de velocidade, claro.

A minha viagem diária está assinalada a roxo:

Saio de Almeirim, a fila dos restaurantes da sopa da pedra, lá ao longe na lezíria, do outro lado do rio, Santarém, imponente no alto do monte e sigo pela estrada nacional 118. Aceno às caras conhecidas, ajeito o assento, sintonizo o rádio e parto.

Depois de passar várias adegas e quintas e algumas tabletas a dizer “rota de vinhos do Ribatejo” chego a Benfica do Ribatejo. Uma casa de vinho à entrada, as casas alinhadas de ambos os lados da estrada, a casa do povo, uma agência do crédito agrícola e upps, já terminou.

O primeiro grande registo no mapa a seguir a Almeirim é Muge. Fica aqui uma foto da igreja e do coreto à entrada da vila e uma santa que está o ano todo cheia de flores e que deseja sorte aos viajantes que passam.



Rectas longas e é tudo plano. De um lado e doutro campos cultivados. Nesta recta interminável até Salvaterra de Magos, passa-se ainda por Marinhais. Na bomba de gasolina há grande ambiente de festa nas noites de fim de semana. Engraçado ver tantos condutores, nativos locais, a “carregarem” na cerveja e a seguirem viagem já bem alegres…

Dá que pensar… com tantas campanhas contra a condução sob o efeito de álcool, como é possível que se venda álcool nos postos de abastecimento?

Também reparei numa casa com decoração do “faroeste” com letreiro enorme “DANCETERIA O ASSADOR”
Depois de alguma pesquisa local, danceteria são locais para idosos irem almoçar / jantar e dar um pezinho de dança com o seu cônjuge ou com algum namoro recente. Ambiente de convívio com música ao vivo. Um género de restaurante / disco para os “maduros”.

Engraçado juntar a palavra Assador à palavra Danceteria. Que encaixe perfeito… infelizmente não consegui visitar esta casa de entretenimento.

Chega-se a Salvaterra de Magos! Grande vila sim senhor! E como qualquer grande centro populacional do Ribatejo, há que ter uma praça de touros e uma rotunda com uma estátua com motivos tauromáquicos.
Reparem no poster da praça de touros a publicitar esse grande artista que é o Mickael Carrera, filho do já lendário Tony Carrera… Muito bom… um género de Enrique e Júlio Iglesias português.

Antes mesmo de chegar a Benavente já tinha reparado num cafezinho à beira de água e decidi fazer uma pausa. Mesmo ao lado da estrada nacional um retiro de calma e tranquilidade, perfeito para tardes preguiçosas de verão.

E neste ponto começa-se a ver mais água. Alguns arrozais e algumas salinas, a vista continua plana, mas o trânsito aumenta ao chegar ao Porto Alto, esse grande cruzamento com a N10 onde se atravessa a ponte para Vila Franca de Xira. Ponte essa que foi durante muitos anos, a única travessia do rio Tejo “perto” de Lisboa.

A seguinte placa que está num cruzamento no Porto Alto é no mínimo curiosa!

As placas servem para informar, mas esta apenas informa os automobilistas para estarem descansados porque, fome, não vão passar de certeza! Mais uma prova de que comer é um verbo realmente importante para nós portugueses.

Ainda se tivessem o nome dos respectivos restaurantes… ainda vá. Agora assim…

!Oh Maria! Vamos almoçar aonde? No da esquerda ou no da direita? Olha esquece e vamos ao Mcdonald’s!

Mais 2 rectas longas e chega-se a Alcochete, já com Lisboa no horizonte do outro lado do rio, que nesta fase já se transformou em estuário. Na infinita planície verde e amarela a peça de artilharia e o avião a jacto do campo de tiro de Alcochete é um marco importante. Ainda mais agora que passou a ser uma das possíveis localizações do futuro aeroporto.

E pouco mais a registar. Ao chegar ao Montijo e ao grande centro de consumo do Fórum, restam ainda 20 km de IC sem grande interesse até chegar a casa. Sem contar com o cheiro sempre aprazível das vacarias que rodeiam a estrada. O que vale é que já se circula a 120km/h.

Como é o vosso caminho para o trabalho? Como o descreveriam?