Feria de Sevilla
No fim de semana da ponte do 1º de Maio não tinha grandes planos, mas tinha um dia de férias marcado.
Onde?
Fui a Sevilla.
Porquê?
O convite do meu amigo Jarek foi irrecusável! Estadia grátis em casa de um casal amigo. A data coincidir com a Feria (Feira) de Madrid.
Como?
Um novo recorde em carro de Almeirim – Lisboa para apanhar o autocarro no Oriente. Uma compra de bilhete stressante e uma viagem tranquila de 5 horas durante a noite.
Quem?
Eu e Jarek, os turistas:


Kasia e Alberto o casal anfitrião:
Como há alguns meses escrevi um post neste blog acerca de Sevilha (clique aqui para recordar), não vou voltar a falar da cidade e dos seus pontos turísticos. Vou então descrever o ambiente de festa que se vive nesta feira tão popular em Espanha e arredores.Mas o que é a Feria de Sevilha? (ponto de vista de português que gosta de Espanha)
Antigamente servia como uma feira de agricultura, como as que existem no interior de Portugal, para promover, vender e negociar bens e serviços agrícolas. Sejam cavalos ou porcos, sejam tractores ou pesticidas, tudo se vendia.
Hoje em dia, como a maioria das grandes cidades europeias, Sevilha viu os agricultores a saírem dos campos para os serviços e turismo, assim durante a Féria ainda há negócio, mas na maioria é comércio e exibição de cavalos.
A Féria hoje são várias centenas de barracas (casetas) num recinto de entrada grátis, onde se bebe, se dança e se vive o optimismo típico dos sevilhanos. E claro o recinto está aberto 5 dias, 24h sem parar, mas à noite é que a festa é rija! As casetas podem ir da mera tenda que vende cañas e tapas até à casa de grandes dimensões com seguranças à porta a seleccionar as entradas onde se come e bebe do melhor (lagosta, caviar e vinhos seleccionados).
Associações, empresas ou particulares pagam uma cota anual para terem direito a uma caseta, cota que depende do tamanho e localização do espaço.
As diferencias são enormes, desde a barraca entrada livre onde se dança e bebe, a outras exclusivas para uma lista seleccionada de amigos onde é tudo grátis e há bandas conhecidas a tocar ao vivo.
Elas, lindas, muito “produzidas” vestidas a rigor com o fato de sevilhana. Eles com muito gel, cabelo puxado para trás, com fato escuro e gravata colorida.
E lá vão eles! Dançam, cantam, batem palmas! São as castanholas a bater, ouve-se: “OLÉ!!”
Come-se bem e muito e bebe-se ainda mais! Desde os jovens no exterior das casetas a beber as suas garrafas de misturas caseiras, à popular Manzanilla (vinho branco muito fraco com gasosa).
Graças ao contacto local, entrámos em várias casetas e entre risadas, e muitas amizades novas, sentimos toda a energia deste povo tão parecido e tão diferente de nós. Para ver e saber mais acerca da Feria clique AQUI. Foi assim:





Agora música, só espanhola e alguém de fora que não conheça ninguém ou não fale espanhol, muito dificilmente consegue ter acesso ao quer que seja.
O português tenta sempre falar o idioma do turista, o espanhol só fala espanhol. “Estás em Roma, sê romano!”
Estamos certos? Estamos errados? Talvez algo intermédio entre Portugal e Espanha seria o ideal… (Os Simpsons em espanhol? nunca, mas nunca iria conseguir aceitar isso).
Como as noites eram longas, as manhãs foram para dormir e houve pouco tempo para percorrer a cidade. O objectivo nem era esse, porque não era a primeira visita de ninguém. Apesar disso ainda visitámos o Alcazar de los Reyes, a casa dos antigos e actuais reis espanhóis, aquando as suas visitas à cidade. Semelhante, mas de menores dimensões, gostei mais do Alcazar de Córdoba.
Em Sevilha, a dimensão do Alcazar impressiona, não pelos salões, mas pelos jardins, fontes, pátios, labirintos de espesso verde. Com as elevadas temperaturas que se fazem sentir em Sevilha quase todo o ano, imagino a mão de obra envolvida para manter tão exuberante todo aquele verde! Foi difícil escolher apenas 2 fotos:

Claro que tinha de falar em touros. Numa tarde eu e o Jarek, na companhia de uma já habitual guia turística / amiga sevilhana, Rosana, fomos fazer mais um alegre e condimentado “Rally Tapas”. Entre cerveja e petiscos a Rosana levou-nos à praça de touros durante a hora exacta do grande espectáculo do fim de semana grande.
Ui! Que ambiente fantástico! Milhares amontoados à entrada da praça. Uns à espera de amigos, outros para entrevistar e filmar os famosos cuja presença é indispensável no espectáculo, outros como nós só para dar uma olhada.
A melhor roupa, a mais rigorosa maquilhagem, os VIPS chegam de carroça puxada por cavalos. Os cavalheiros ajudam as madames a descer ao mesmo tempo que um camera man regista o momento para um directo na TV. Jovens distribuem folhetos com o programa da corrida de touros, os bravos que enfrentam a arena e a pureza e força da raça dos touros. Os bilhetes mais baratos custam 100€, os mais caros não sei…
Não querem investir num bilhete? Não há problema, porque por toda a cidade bares, restaurantes e tascas, anunciam que transmitem em directo na televisão o espectáculo taurino.

Não Jarek… não tens o “que é preciso”!
Que dias curtos mas bem passados! Que noites longas de borga! VIVA Sevilha!
Mas foi o facto de ter ficado numa casa praticamente encostada à catedral e a hospitalidade fantástica do Alberto e da Kasia que tornou esta visita tão singular!
E a vista do terraço do prédio? Foi um privilégio ver o fogo de artifício dos telhados da cidade, mesmo por detrás da catedral… Priceless!
Por tudo isto, não tenho dúvidas que Sevilha é a cidade espanhola que junta mais ícones internacionais do povo latino: sol, touro e toureiros, siesta, santos, sevilhanas e castanholas, tango, tapas e cañas… mais umas fotos com detalhes da beleza desta cidade:
A experiência de viver com pessoas de origens diferentes é tumultuosa, confusa, divertida, enriquecedora, resumindo, fantástica!
Foi assim...






