A viagem mais repetida nos últimos anos
Por exemplo, é comum, acontecer nos últimos momentos antes de adormecer. No escuro do quarto, deitados na cama, tomam-se grandes decisões para o dia seguinte, ou reflecte-se o que aconteceu e imagina-se o que acontecerá.
Há quem tenha esses momentos, no duche de manhã, ou também comum, é ao fazer-se a barba. Já o grupo britânico Oásis escreveu na canção What’s the Story Morning Glory:
“All your dreams are made
When you change in mirror
Or face the razorblade.
Today is the day…”
Seja a fazer a barba ou qualquer outra tarefa que pela repetição contínua durante anos, se torna “automática”, nesses momentos pensamos, reflectimos, decidimos em plena confrontação com o nosso EU.
Isto tudo para vos falar da viagem que fazemos todos os dias para o nosso local de trabalho. Sim. Todos nós viajamos diariamente, só não o vemos como tal, porque associamos “viagem” a férias.
Uns demoram minutos, outros demoram horas, de qualquer maneira no total da nossa vida útil, não deixa de ser importante o tempo gasto em deslocações para o trabalho.
Agora se amanhã eu apanhar o autocarro que alguém apanha para o trabalho, e essa pessoa fizer os 98km que faço há 3 anos do Barreiro a Almeirim, ambos vamos quebrar a nossa rotina e sentir que viajámos.
Se optar pela auto-estrada, é mais rápido, mas mais caro e mais aborrecido. Vale a companhia da rádio e da música, fiéis amigos nesses momentos.
No entanto a estrada nacional 118 está carregada de pequenos detalhes, de muitos locais interessantes que num dia de sol decidi conhecer. Centenas de vezes percorri esse percurso, mas sempre com pressa para chegar ao trabalho. Recomendo a quem “viaja” para o trabalho a, num dia com tempo, explorar a natureza ou povoações desses caminhos diários.
Baseado em perguntas feitas por amigos, dissipo agora algumas dúvidas:
Não trabalho na Sumol.
Não trabalho em Santarém. Não, não é mais perto ir por Lisboa e pela A1, porque a auto-estrada termina em Santarém e Almeirim fica na margem sul do Tejo, logo cruzava o rio 2 vezes.
Não, não demora 30 minutos, e não é num instante. Mesmo ao contrário do trânsito demora pelo menos 1 hora respeitando os limites de velocidade, claro.
A minha viagem diária está assinalada a roxo:
Saio de Almeirim, a fila dos restaurantes da sopa da pedra, lá ao longe na lezíria, do outro lado do rio, Santarém, imponente no alto do monte e sigo pela estrada nacional 118. Aceno às caras Depois de passar várias adegas e quintas e algumas tabletas a dizer “rota de vinhos do Ribatejo” chego a Benfica do Ribatejo. Uma casa de vinho à entrada, as casas alinhadas de ambos os lados da estrada, a casa do povo, uma agência do crédito agrícola e upps, já terminou.
O primeiro grande registo no mapa a seguir a Almeirim é Muge. Fica aqui uma foto da igreja e do coreto à entrada da vila e uma santa que está o ano todo cheia de flores e que deseja sorte aos viajantes que passam.
Dá que pensar… com tantas campanhas contra a condução sob o efeito de álcool, como é possível que se venda álcool nos postos de abastecimento?
Também reparei numa casa com decoração do “faroeste” com letreiro enorme “DANCETERIA O ASSADOR”
Engraçado juntar a palavra Assador à palavra Danceteria. Que encaixe perfeito… infelizmente não consegui visitar esta casa de entretenimento.
Chega-se a Salvaterra de Magos! Grande vila sim senhor! E como qualquer grande centro populacional do Ribatejo, há que ter uma praça de touros e uma rotunda com uma estátua com motivos tauromáquicos.
Antes mesmo de chegar a Benavente já tinha reparado num cafezinho à beira de água e decidi fazer uma pausa. Mesmo ao lado da estrada nacional um retiro de calma e tranquilidade, perfeito para tardes preguiçosas de verão.
A seguinte placa que está num cruzamento no Porto Alto é no mínimo curiosa!
Ainda se tivessem o nome dos respectivos restaurantes… ainda vá. Agora assim…
!Oh Maria! Vamos almoçar aonde? No da esquerda ou no da direita? Olha esquece e vamos ao Mcdonald’s!
Mais 2 rectas longas e chega-se a Alcochete, já com Lisboa no horizonte do outro lado do rio, que nesta fase já se transformou em estuário. Na infinita planície verde e amarela a peça de artilharia e o avião a jacto do campo de tiro de Alcochete é um marco importante. Ainda mais agora que passou a ser uma das possíveis localizações do futuro aeroporto.
Como é o vosso caminho para o trabalho? Como o descreveriam?

A festa da espiga na Chamusca foi uma longa noite de ramboia com os nativos ribatejanos, meus amigos.

Como há alguns meses escrevi um post neste blog acerca de Sevilha (









